Brasília - O primeiro discurso do novo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, foi recheado de recados para os mais variados setores da economia. Na platéia, predominavam empresários e políticos que tentavam decifrar cada sinal emitido. Mas, se sobraram prefeitos e parlamentares, como fez questão de ressaltar o próprio Palocci antes de iniciar sua fala, faltaram pesos pesados do mundo financeiro. Os presidentes da Federação dos Bancos (Febraban), Gabriel Jorge Ferreira; do Bradesco, Márcio Cipriano; e do banco Safra, Carlos Alberto Vieira eram algunsdos poucos presentes.
Palocci aproveitou o momento para rebater críticas e tentar esclarecer dúvidas com relação a linha de atuação da nova equipe econômica. A estratégia foi bem sucedida. Após mais de uma hora se espremendo entre os cerca de 850 convidados e jornalistas, os empresários parecem ter saído com uma boa impressão. O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, deixou o auditório do BC, em Brasília, apostando numa redução de juros já na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do novo governo.
Nem tão otimista assim, o presidente do Conselho de Administração Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, disse que os primeiros seis meses deverão ser um período duro mas que os juros poderão cair no segundo semestre. Para ele, o discurso de Palocci ''foi na direção certa''.
De acordo com Steinbruch, a ênfase no encaminhamento de reformas como a da Previdência é essencial para o País voltar a crescer. ''O tempo trabalha contra o novo governo mas ele tem legitimidade para fazer as reformas'', destacou. Segundo ele, além de legitimidade, é preciso ter vontade e determinação para tratar de um tema tão polêmico quanto a reforma previdenciária. ''Todas as reformas devem sair e no menor tempo possível. O presidente Lula está consciente disso'', afirmou.
O que mais agradou o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedo (Abrinq), Synésio Batista da Costa, foi o destaque para área social. ''A inclusão social passa pela geração de empregos e o empresariado terá que participar'', avaliou. ''Vamos ter que conversar mais com esse governo do que com o anterior'', completou.
Para ele, o setor produtivo ainda deverá aguardar os primeiros 90 dias do novo governo antes de tomar qualquer decisão de investimento. ''Esse é o prazo que dá esperar sem investir. Esperamos regras claras, transparência e sinais que serão emitidos rapidamente'', afirmou, ressaltando que a trajetória da taxa de juros é um desses sinais.
Para Batista, independente do trâmite da reforma tributário no Congresso Nacional, há pequenas mudanças que poderiam ser implementadas e que fariam muita diferença para classe empresarial. Uma delas é a mudança da data de cobrança de determinados tributos. ''Porque temos que pagar alguns tributos até o quinto dia útil se o governo só precisa dos recursos no final do mês'', questiona. Segundo ele, somente a alteração desse recolhimento para a data de vencimento das duplicatas das empresas, por exemplo, já permitiria uma redução de 10% nos preços.
Márcio Cipriano, do grupo Bradesco, também elogiou o discurso de Palocci, considerado coerente com tudo o que foi dito durante a campanha. Para ele, as medidas que serão tomadas vão na linha da redução de juros, aumento do crescimento e diminuição do desemprego.

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