Discurso de Cardoso tranquiliza militares
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quinta-feira, 23 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou ontem as comemorações do Dia do Aviador para tentar contornar a polêmica sobre a desregulamentação da área de aviação, que colocou em lados opostos o Ministério da Aeronáutica e a Casa Civil. Em discurso, lido na Base Aérea de Brasília, Fernando Henrique elogiou a atuação da Força Aérea Brasileira (FAB), à qual está vinculado o Departamento de Aviação Civil (DAC).
Somos detentores da segunda maior frota de aeronaves do mundo, cruzando os céus deste País e oferecendo aos seus usuários um serviço sustentado pelo trinômio conforto-rapidez-segurança, disse o presidente. Tudo isso só é possível graças à eficácia da coordenação desse ministério, através do seu Departamento de Aviação Civil e de controle do tráfego aéreo, prosseguiu.
O discurso de Fernando Henrique foi interpretado pelos militares como sinal de que o governo não fará mudanças agora no controle da aviação. Essa discussão vem sendo travada há alguns meses, depois que a Casa Civil, comandada pelo ministro Clóvis Carvalho, e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE) resolveram iniciar estudos para retirar da Aeronáutica atribuições hoje desempenhadas pelo DAC e pela Empresa de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).
O presidente Fernando Henrique Cardoso acertou ontem, em encontro com os ministros militares no Palácio do Planalto, a criação do Ministério da Defesa no segundo semestre de 98. Ainda não está decidido se os ministérios militares serão mantidos após a criação da pasta. Em caso de extinção, para cuidar dos efetivos militares seria criada a Secretaria das Forças, que teria como responsáveis os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Esta proposta agradou ao presidente. Os militares irão se dedicar, a partir de agora, a detalhar o projeto.
Estavam no quarto andar do Planalto, além do presidente, os ministros do Exército, general Zenildo Lucena, da Marinha, almirante Mauro César Pereira, da Aeronáutica, brigadeiro Lélio Viana Lobo, do Estado Maior das Forças Armadas (Emfa), general Benedito Leonel, da Casa Civil, Clóvis Carvalho, da Casa Militar, general Alberto Cardoso, e da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Ronaldo Sardemberg. Faltou apenas o ministro de Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, que está viajando. Haverá novas reuniões sobre o assunto.


