O presidente da Cooprelon, Maurício Montezini, disse que sempre trabalhou com materiais recicláveis, mas, não se definiria como catador. ''Não vou falar que eu saía catando material na rua, mas eu sempre trabalhei com o pessoal do lixo. Essa denúncia não tem nada a ver'', disse Montezini. Antes de assumir a presidência da cooperativa, ele prestava serviços para a Supra Clean. Era o responsável por coordenar funcionários da empresa que faziam a separação de lixo na Kurica, empresa que recolhe material de grandes geradores. A Supra mantinha contrato com a Kurica para ficar com o material reciclável. Montezini disse que trabalhava como autônomo. ''Eu não tinha registro em carteira.''
Ele afirmou não saber ainda qual será sua remuneração como presidente da cooperativa. ''Eu não estou recebendo nada. Numa reunião dos cooperados, eles vão decidir quanto dá para passar para o presidente.'' Questionado sobre como tem feito para pagar sua contas, ele disse: ''Tenho que dar meus pulos.''
Também chama a atenção a participação de um dos diretores da Supra - Humberto Tomiotto - na assembleia de fundação da Cooprelon. Ele secretariou os trabalhos e redigiu a ata. O diretor administrativo-financeiro Erlandes Silva era comerciante antes de fazer parte da cooperativa de catadores e recicladores. Ele era dono de uma empresa de estamparia e ''há um ano comecei a mexer com lixo''. Assim como o presidente, ele disse que nada está recebendo da cooperativa. Os outros 80 cooperados - conhecidos catadores que faziam parte da reciclagem - já têm obtido remuneração referente ao rateio do material coletado e vendido.
A recicladora Sandra Araújo Barroso Silva, presidente da Coocepeve (a mais antiga associação de recicladores de Londrina), atesta que Montezini e Erlandes Silva nunca foram catadores. ''Ninguém nunca viu essas duas pessoas como catadores. Ninguém conhece esse pessoal.'' A Coocepeve congrega catadores que começaram a trabalhar no antigo lixão do Limoeiro, nos anos 90. ''Somos os mais antigos catadores da cidade e nós não conseguimos um contrato com a CMTU e a Cooprelon conseguiu. Com certeza existe um privilégio para esta cooperativa'', avaliou Sandra ao sair de reunião na Promotoria do Meio Ambiente para discutir eventual contratação da Coocepeve.
O presidente da CMTU, André Nadai, disse desconhecer o fato de os dirigentes não serem catadores. ''Nós conferimos a documentação e havia pessoas que não eram catadores. Notificamos a Cooprelon para retirar essas pessoas e eles fizeram a retificação. Eles assinaram inclusive declaração que a cooperativa era exclusivamente formada por catadores de baixa renda.'' (L.C.)

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