O ex-procurador jurídico da Câmara de Vereadores, João dos Santos Gomes Filho, foi instituído ontem advogado do Partido dos Trabalhadores (PT) em Londrina, e dos dirigentes da legenda citados nas denúncias de caixa 2 na campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT), em 2004.
Gomes Filho deverá solicitar hoje acesso ao inquérito instaurado dia 29 pela Polícia Federal (PF), que apura as denúncias feitas pela ex-assessora financeira da campanha, Soraya Garcia. Em coletiva realizada na sede do partido, o advogado, o presidente estadual do PT, deputado André Vargas, o presidente do diretório municipal, Jacks Dias, e o tesoureiro do partido, Francisco Moreno, afirmaram que desistiram do pedido de encaminhamento das investigações ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido foi feito dia 3, sob o argumento de que o ministro Paulo Bernardo, que tem foro privilegiado, teria sido citado no processo.
A liminar foi negada e o juiz da 41 Zona Eleitoral, Jurandyr Reis Júnior, está aguardando a manifestação do Ministério Público (MP). ''Há uma orientação da direção estadual e dos advogados de que não faremos isso (pedido de encaminhamento das investigações ao STF)'', disse Vargas. ''O PT de Londrina deve satisfação para a sociedade londrinense. Eu acho que aqui é o foro para a apuração'', afirmou o advogado.
As contas do diretório municipal e da campanha, entre janeiro e dezembro de 2004, serão auditadas. A auditoria foi iniciada ontem e será conduzida por Ranulfo Castro, que orientou a elaboração da prestação de contas. ''Não fizemos caixa 2 à frente da campanha do ano passado. Buscamos manter uma campanha onde tudo que foi arrecadado e gasto que fosse prestado contas abertamente'', disse Dias.
O presidente do PT do Paraná ainda contestou as declarações do ex-delegado-chefe da PF, Sandro Viana dos Santos, que após a apreensão de documentos e da análise de depoimentos, disse estar confirmado o caixa 2. ''Quando se diz está provado, é porque a prova foi capturada, auditada, oferecida por aquele que foi denunciado, a contradição, e passou pelo devido processo judicial e isso não aconteceu'', argumentou. ''Há incursões da Polícia Federal pegando eventuais provas ou indícios que podem ser verdadeiras, mas podem não ser, estamos avocando o direito à dúvida e isso será reestabelecido no devido processo judicial'', complementou Gomes Filho.
Vargas ainda afirmou que teria sido chantageado pela ex-assessora financeira. ''Há 25, 26 dias ela me procurou e me pediu emprego no setor de licitações da Sercomtel e estava sendo vítima de uma chantagem e não sabia. Fomos vítimas de uma chantagem visando interesses pessoais por parte dessa moça. Uma chantagem que faz uma ilação caluniosa sobre lideranças nacionais e eu, que sou presidente estadual do PT. Pelo o que concerne à defesa da honra, é absolutamente inadmissível que em função de uma luta odiosa, uma luta política que está se travando entre a oposição e o governo, entre o PSDB, PFL, o PT e partidos aliados'', argumentou. ''Não há nenhum vínculo entre o que supostamente ocorreu aqui e que não reconhecemos que tenha ocorrido'', disse. (C.O.)

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