Curitiba - O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados marcou para o dia 11 de agosto o depoimento do deputado federal José Borba (PMDB-PR), suspeito de estar envolvido no suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares, conhecido como ''mensalão''. Dois depoimentos dados pela diretora-financeira da SMPB, Simone Vasconcelos e pela funcionária em Brasília, Eliane Alves citaram diretamente Borba ex-líder do PMDB na Câmara Federal. Segundo elas, ele recebia os repasses, mas não aceitava assinar os recibos.
O depoimento de Borba tem sido aguardado com ansiedade pelos dirigentes do PMDB do Paraná. O deputado estadual Dobrandino Gustavo da Silva, líder do governo na Assembléia Legislativa e presidente do diretório estadual do PMDB, disse que se Borba renunciar ou se houver a recomendação de cassação dele pelo Conselho de Ética, o partido não irá hesitar em expulsá-lo. ''Se ele renunciar, estará dando indicativo suficiente que está temendo a cassação. Se for cassado, fica claro de que as denúncias são verdadeiras. Não poderemos segurar. Se isso acontecer, vamos expusá-lo do partido. Não tem como admitir o pagamento de mesadas para parlamentares do PMDB'', disse Dobrandino.
O pedido de cassação de Borba no Conselho de Ética foi feito pelo paranaense Flávio Martinez, presidente nacional do PTB. Martinez assumiu o cargo depois do afastamento voluntário do deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ).
A Folha tentou contato ontem com Borba pelo terceiro dia consecutivo, mas não obteve retorno das ligações. Além das denúncias de que teria sacado dinheiro no Banco Rural, uma reportagem veiculada no jornal ''O Estado de S. Paulo'' afirmou que o dinheiro sacado por Borba poderia ter sido repassado ao apresentador de TV Carlos Massa, o Ratinho, como pagamento por uma entrevista de cinco horas com o presidente Luís Inácio Lula da Silva veiculada no Programa do Ratinho. O apresentador negou as acusações e afirmou que irá processar os responsáveis pela notícia. (Colaborou Rodrigo Sais)

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