Diretório do PT ameniza propostas contra FHC
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Silvio Bressan Agência Estado 
Desarmado pelos resultados positivos da reunião do presidente Fernando Henrique com os governadores, na sexta-feira, o Diretório Nacional do PT resolveu amenizar o tom das propostas que serão defendidas pelo partido neste ano. Embora mantenha todas as críticas à política econômica do governo, o diretório rejeitou, durante um encontro no fim de semana, em São Paulo, as propostas de abreviatura do mandato presidencial e de moratória da dívida externa.
Muito pelo contrário, ao invés de lutar pela antecipação da sucessão presidencial, o diretório aprovou uma proposta de combater medidas fora da Constituição. Não aceitamos soluções deste tipo parlamentarismo e fujimorização, explicou o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP). Até mesmo o ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, que chegou a defender a abreviatura do mandato de Fernando Henrique, votou contra uma proposta mais radical e ajudou a redigir a emenda aprovada.
Nunca propus abreviar o mandato do presidente como estratégia do partido, alegou Genro. Apenas fiz uma ironia, dizendo que o próprio Fernando Henrique deveria tomar essa iniciativa, uma opinião que ainda mantenho.
Na emenda aprovada, o PT chama a atenção para o risco do aprofundamento da crise. A elite dominante já busca as suas saídas conservadoras e antipopulares, alerta o texto. Seja pela fujimorização, seja por uma emenda parlamentarista de mera conveniência conjuntural. Segundo Dirceu, a resolução foi a favor do debate público. Não quer dizer que o Fernando Henrique pode fazer o que quer, como submeter o Judiciário, atropelar a Constituição ou romper com a federação. Para discutir melhor essa situação e a questão dos governadores, o diretório resolveu convocar uma reunião com governadores, vices, dirigentes e prefeitos de capitais para discutir a unificação da política partidária em relação ao governo federal e à sua política econômica. Estamos defendendo a ruptura do acordo com o FMI, o reescalonamento da dívida e a centralização do câmbio, afirmou o deputado federal Aloizio Mercadante (SP).
Na questão dos governadores, a grande preocupação do partido é não deixar isolado o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), único a não participar da reunião de sexta-feira. Não podemos deixar o Itamar ficar isolado, admitiu Dirceu. Por isso, foi aprovada uma resolução de apoio a Itamar na forma de uma carta aos mineiros.


