Curitiba - Os quatro principais diretores do Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento - Lactec foram afastados ontem por ineficiência na administração contábil da instituição. A decisão foi tomada com base no resultado de uma auditoria realizada no Lactec nos últimos 15 dias. A auditoria demonstrou que a entidade acumulou um déficit contábil de R$ 1,8 milhão no ano de 2003. Até 2002, o Lactec vinha obtendo resultados positivos. O déficit na arrecadação da instituição foi de R$ 9 milhões, passando de R$ 57 milhões em 2002 para R$ 48 milhões em 2003. Houve ainda no mesmo período um aumento nas despesas com folha de pagamento e outros gastos, como representações e viagens.

A crise financeira no Lactec levou o conselho de empresas conveniadas a oficializar a exoneração do superintendente, Alceni Guerra; do diretor Administrativo e Financeiro, José Marques Filho; do diretor de Desenvolvimento Tecnológico, Mário José Dalavalle; e do diretor de Operações, Luiz Eduardo Caron. O conselho formado pela Associação Comercial do Paraná (ACP), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) e Companhia Paranaense de Energia (Copel) já indicou os substitutos de Alceni e Marques Filho. Serão os técnicos em gestão financeira e especialistas do setor elétrico, Nelson de Marco e Rogério Piccoli, ambos funcionários da Itaipu Binacional. Os dois assumem oficialmente os cargos na segunda-feira.

De acordo com o presidente do conselho de conveniadas, reitor da UFPR, Carlos Augusto Moreira Júnior, a decisão de exoneração da atual diretoria teve o aval do governador Roberto Requião (PMDB). ''Explicamos para ele a situação financeira do Lactec, que vinha bem até 2002 e começou a ter dificuldades com a nova administração. Foi colocada em risco a saúde financeira da administração. Para preservar o emprego de 308 funcionários, tivemos que intervir imediatamente e exonerar os diretores'', explicou Moreira.

O reitor disse que a auditoria não apontou qualquer tipo de desvio de recursos ou má-fé na administração dos recursos. ''Não aponta nada nesse sentido. Aponta sim deficiência financeira e dificuldades administrativas'', salientou Moreira. A auditoria será analisada agora pelos dois diretores que serão empossados segunda-feira. É possível que o resultado seja remetido para a Ouvidoria Geral do Estado, para análise aprofundada. Se houver indícios de irregularidades, a auditoria interna poderá ser encaminhada também para o Ministério Público (MP) estadual.

Os outros dois diretores ainda não escolhidos serão indicados pela UFPR e pelas demais entidades que compõem o conselho.

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