Seis dirigentes do Banestado foram convocados pela CPI dos Títulos Públicos, para explicar as operações de compra de títulos e emissão de debentures por duas de suas empresas. A direção do banco apresenta sua defesa à CPI na segunda-feira, a partir das 10 horas, na sala Nilo Coelho, do Senado. Na lista dos convocados estão o presidente do Banestado e da Banestado Leasing, Domingos Tarso Murta Ramalho; o presidente da Banestado Corretora, Carlos Valente de Castro; o diretor de Operações da Banestado Corretorta, Paulo Gonçalves da Silva; o ex-presidente da Banestado Leasing e atual secretário estadual dos Esportes, Osvaldo Magalhães dos Santos, e os ex-presidentes da Banestado Corretora S.A. Pedro Ramos e Wilson Mugnaine.
Ontem, a cúpula do banco passou o dia reunida para definir uma estratégia de defesa. No início da noite, a assessoria do Banestado emitiu uma nota oficial contestando as informações levantadas contra a instituição, durante a reunião da CPI, na quarta-feira.
Os diretores do banco alegam que em momento algum o governador Jaime Lerner foi contactado por integrantes da CPI ou do governo federal para discutir assuntos relacionados às empresas do conglomerado Banestado. ‘‘Operamos normalmente no mercado de compra e venda de títulos públicos e privados e essas operações cumpriram rigorosamente as normas técnicas do Banco Central’’, diz a nota.
Os diretores e ex-diretores do Banestado tentarão sustentar ainda que a compra de títulos dos estados de Pernambuco e Alagoas e das prefeituras de Guarulhos e Osasco rendeu um lucro de R$ 22,8 milhões, contrastando com os prejuízos apontados pela oposição ao governo estadual e pela própria CPI. A nota também garante que as emissões de debêntures da Banestado Leasing foram realizadas dentro das normas de mercado.
O discurso que o presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, vai apresentar aos senadores já está pronto. Ramalho pensa em reforçar, entre outros pontos, a tese de que as acusações contra o Banestado ‘‘são fruto de uma disputa eleitoral no Estado’’, fomentada pelo relator Roberto Requião (PMDB-PR).
Esperança A confirmação da tomada de depoimentos da cúpula do Banestado pela CPI dos precatórios reacendeu a esperança da oposição em instalar uma CPI também no Paraná. Os deputados Caíto Quintana (PMDB) e Ângelo Vanhoni (PT) viajam a Brasília para acompanhar os depoimentos dos diretores do Banestado. ‘‘Desta vez, não vai ter a desculpa de sessão secreta’’, afirmou Vanhoni, emendando que a direção do banco ‘‘terá de falar abertamente sobre as irregularidades’’.

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