A diretora da Rádio Universidade FM órgão ligado à Universidade Estadual de Londrina (UEL), Janete El Haouli, foi afastada ontem do cargo por ''discordância administrativa''.
A demissão ocorreu quase um mês após uma reunião do Conselho Universitário (C.U.), que deliberou a extinção da rádio como órgão de apoio da UEL e a transformou em uma diretoria subordinada à Coordenadoria de Comunicação Social (COM) da instituição. Janete discordou do encaminhamento da discussão. ''Não constava na pauta do C.U. que isso aconteceria. Estava pautado que haveria a normativa da COM e no momento dessa reunião foi sugerido que a rádio fosse enquadrada como subordinada a essa coordenadoria e foi aprovado. A discordândia está pautada no seguinte: não foi discutida pela comunidade universitária e implicou em mudança regimental, alterando um artigo do regimento passando de diretoria para coordenadoria. A versão da reitora é que foi amplamente discutido, mas onde? No C.U. nem sequer foi pautado'', relatou Janete, que estava há três anos e meio à frente da rádio. ''Não fui eu que fui excluída no processo mas toda a universidade.''
Segundo Janete, a discordância teria se iniciado em janeiro do ano passado, quando a reitora a teria convidado para elaborar a política de comunicação da UEL. ''No terceiro encontro, a discordância se estabeleceu. O coordenador da COM, Issac Camargo apresentou essa proposta e naquele momento manifestei a minha preocupação. O jornalismo de uma rádio universitária deve ser plural e autônomo. Defendi com unhas e dentes isso e não foi bem recebido. Houve um silêncio de cerca de sete meses e no final do ano, voltamos a essa discussão, que não saiu do lugar'', disse.
''Aprovamos no C.U. a criação da Coordenadoria de Comunicação da universidade que vai trabalhar com todos os órgãos de comunicação da universidade. Não havia concordância com essa nova proposta e por isso a diretora saiu'', justificou a reitora Lygia Pupatto (PT). ''Muda nada estruturalmente a rádio. Antes era um órgão de apoio ligado diretamente à reitoria e agora ganha status de pró-reitoria e sai da influência pessoal do reitor. Quero institucionalizar isso. As mudanças são para que as relações não fiquem pessoais. Queremos que fiquem institucionais'', concluiu Lygia.

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