A diretora de Fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi, disse ontem ao juiz Abel Fernandes Gomes, da 6ª Vara de Justiça Federal do Rio, responsável pelo processo sobre o caso Marka, que as decisões sobre a ajuda aos bancos Marka e FonteCindam ‘‘partiram da diretoria do Banco Central’’ e que ela apenas cumpriu ordens. Tereza Grossi, que na época da desvalorização cambial, em janeiro de 1999, era chefe interina do departamento de fiscalização do BC, afirmou ainda que procuradores do BC e o então diretor de fiscalização do banco, Cláudio Mauch, definiram como deveria ser feita a carta que a Bolsa de Mercadorias e de Futuros (BM&F) enviou ao BC para oficializar a necessidade de ajuda aos bancos Marka e FonteCindam.
Aparentando tranquilidade, Grossi respondeu com firmeza a todas as perguntas do juiz durante uma hora e quarenta minutos. Ela disse que no caso da carta da BM&F ‘‘apenas seguiu orientações dos procuradores do banco e de Cláudio Mauch’’ sobre o que deveria ser feito. ‘‘Telefonei para a BM&F para pedir que fosse alterado o texto, retirando o nome dos dois bancos’’, relatou Grossi. Quanto à alteração da data da carta, no entanto, que teria sido redigida no dia 15 de janeiro, mas foi datada no dia 14 de janeiro, a diretora do BC disse que não sabia disto, nem por que foi feita a alteração.
Os procuradores do BC que participaram destas tratativas, segundo Tereza Grossi, foram Francisco Siqueira e Manoel Loyola. O juiz quis saber por que o Banco Marka não foi liquidado, já que estava sem liquidez. Grossi explicou que recebeu informações de Mauch ‘‘de que a diretoria do BC havia decidido que não permitiria liquidação extrajudicial de banco por causa da desvalorização cambial’’. Grossi acrescentou ainda que esta decisão evitaria ‘‘crise de confiança no mercado’’.
O advogado do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, do Marka, José Carlos Fragoso, disse que seu cliente ‘‘não está foragido’’. Segundo o advogado, assim que uma liminar do Supremo Tribunal Federal, no dia 14 de julho, libertou o ex-banqueiro da prisão, ele se mudou para o exterior. Fragoso acrescentou que, por conta disso, Cacciola ainda não foi notificado, em seu novo endereço, de que há uma ordem de prisão contra ele. ‘‘Na próxima segunda-feira, vou apresentar ao juiz o novo endereço de meu cliente’’, disse Fragoso.
O procurador da República Arthur Gueiros, um dos três responsáveis pela denúncia do ex-banqueiro, rebateu o advogado. ‘‘Vou informar ao governo sobre o novo endereço do senhor Cacciola para que seja pedida a sua imediata extradição ao País’’, afirmou. Há um problema: Cacciola é natural da Itália, onde provavelmente está foragido e o Brasil não tem acordo de extradição com este país.
O consultor do Banco Central, Alexandre Pundek, que, na época da desvalorização cambial, era chefe de gabinete do ex-presidente Francisco Lopes, também insistiu que ‘‘partiu da diretoria do BC’’ a decisão do socorro financeiro aos bancos. Pundek acrescentou ainda, que, na época, lhe foi relatado que a decisão da ajuda foi tomada para ‘‘evitar uma crise maior no mercado, uma corrida aos bancos e ao câmbio’’.

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