Diretora admite irregularidades em Secretaria
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quarta-feira, 07 de maio de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
A ex-diretora de aprovação de projetos da Secretaria de Obras de Londrina Celina Ota disse ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Alvarás que avisou o ex-secretário Sandro Nóbrega sobre irregularidades em pelo menos seis construções do Jardim Colúmbia, que só foram encaminhadas à Corregedoria do Município em março deste ano.
Porém, tanto ela quanto as outras três testemunhas ouvidas ontem alegaram sequer ter ouvido conversas sobre corrupção dentro da pasta.
A CEI dos Alvarás ouviu, antes de Celina Ota, o engenheiro da Secretaria de Obras Alexandre Andrade Addario e, após ela, os fiscais Sérgio Florêncio Exposito e Vitor Menon. Nenhum deles falou com a imprensa.
O conteúdo dos depoimentos foi contado superficialmente pelo presidente da CEI, Jamil Janene (PP). De acordo com ele, os membros questionaram a todos diretamente se já haviam recebido alguma proposta de propina durante o exercício das funções e todos negaram.
A CEI foi instalada após denúncia de que pelo menos 12 casas do Jardim Colúmbia teriam obtido Habite-se mediante informações falsas em documentos. Pela denúncia do presidente da associação dos moradores do bairro, Juliano Dalto, 12 casas estariam nessa situação: não contavam com exigências arquitetônicas, como faixa de absorção pluvial ou piso tátil, embora o laudo dos fiscais atestasse a existência, viabilizando a emissão do Habite-se.
Mesmo diante das evidências constatadas no ano passado, a documentação não foi enviada para a Corregedoria do Município até março passado, quando o caso veio à tona.
As denúncias levaram à saída e Ota da função e o Ministério Público entrou no caso. Em seguida, diante da suspeita de pagamento de propina a fiscais, Sandro Nóbrega colocou seu cargo à disposição do prefeito Alexandre Kireeff (PSD). Ele foi substituído interinamente pelo engenheiro Fernando Bergamasco até a nomeação, na última segunda-feira, de Walmir Matos para a pasta.
Segundo Jamil, a arquiteta negou que tenha engavetado as suspeitas de irregularidades no Jardim Colúmbia. Ela disse à comissão que tinha 90 dias de prazo para analisar a denúncia feita à secretaria, o que começou a ser feito em 2 de maio do ano passado. Ainda segundo Jamil, ela afirma ter entregue a documentação a Sandro Nóbrega no dia 2 de julho de 2013, onde teria ficado parada.
O presidente também disse que os depoimentos confirmam a sucateamento da Secretaria de Obras. "Isso me deixa triste. Dizem que falta equipamentos, computadores, fiscais, engenheiros e arquitetos. É grave, porque é a pasta responsável pelo desenvolvimento da cidade", argumentou. Na sexta-feira, devem ser chamados a testemunhar um construtor e um mestre de obras.
Outro foco da CEI dos Alvarás, a apuração sobre o Complexo Marco Zero está parado em relação ao Jardim Colúmbia. De acordo com Jamil, os documentos solicitados à prefeitura já chegaram, mas o empresário Raul Fulgêncio respondeu que não tem os documentos solicitados por não ser o responsável pelas obras. "Pedimos parecer da Procuradoria Jurídica porque ele sempre figurou como representante do complexo."


