O superintendente do Aeroporto Regional de Maringá, Marcos Valêncio, detido por cinco dias pela Polícia Federal (PF) na Operação Dilúvio, foi confirmado no cargo pelo prefeito Silvio Barrros (PP) e já reassumiu a funções. Segundo a PF, Valêncio teve a prisão temporária decretada por suspeita de participação no maior esquema de sonegação fiscal e fraude aduaneira do país. Após a liberação, o superintendente disse que foi ''escrachado'' pela ''pirotecnia'' da polícia. O Aeroporto de Maringá foi construído pela administração municipal e o superintendente é indicado pelo prefeito.
Em entrevista à Folha, Valêncio negou que seja dono das empresas de comércio exterior Oppus Trade e Mercotex - suspeitas de integrar o esquema de sonegação fiscal. ''Sou proprietário de uma empresa de consultoria, a L3 Consultoria. A minha empresa traz clientes para a Oppus e a Mercotex, eu agencio serviços em comércio exterior. Mas não sou sócio nem tenho qualquer vínculo empregatício com as duas empresas'', afirmou.
Sobre a detenção, o superintendente contou que foi um episódio traumático em sua vida. ''Eu fui abordado em casa, às seis da manhã, por quatro ou cinco policiais. Tenho dois filhos, um de três e outro de cinco anos, um deles estava com rotavirus e deitado na cama comigo. Os agentes entraram perguntando se eu tinha arma, jóias, dinheiro, dólares, na frente dos meus filhos, da minha esposa... Revistaram tudo que quiseram. Quando viram que meu apartamento é alugado, as informações de que eu seria o líder de uma quadrilha de sonegação começou a cair por terra. Fui encaminhado para a PF e lá tinha um CD com meu nome e 160 perguntas. Você conhece tal pessoa? E tal empresa? Foi isso que aconteceu. Quando constataram que minhas informações eram verídicas, a juíza de Paranaguá que decretou a prisão, viu por bem conceder a liberdade'', contou.
''No final, fiquei pensando: se era para tirar as informações apenas, poderiam ter mandado a intimação, eu iria lá e não ficaria todo esse trauma para minha família, esse escracho desnecessário. Houve danos de diversas formas'', queixou-se. ''Além disso, essas operações da PF consomem milhões de reais que poderiam ser economizados se as pessoas fossem chamadas normalmente para dar explicações.''
Marcos Valêncio afirmou também que a suspeita de sonegação fiscal foi um equívoco da PF. ''Eles não atentaram para o fato de que em Maringá temos a Zona de Processamento Aduaneiro que dá às empresas 48 meses de prazo para pagamento de 80% do imposto de importação. Então, eles acharam que havia sonegação'', justificou. De acordo com o superintendente, o sistema difereciado fiscal foi introduzido para incentivar o desembaraçamento de importados no Norte do Paraná. ''Antes, produtos de Foz iam direto para São Paulo e eram tributados por lá.''

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