O diretor de operações do Banco HSBC, Steve Troop, confirmou ontem que a instituição repassava mensalmente verbas de contribuição para as polícias civil e militar e agentes federais. O banco é acusado de manter um departamento de segurança usando a mão-de-obra de funcionários públicos e de fazer investigações com escutas telefônicas clandestinas. Troop negou as acusações.
Troop disse que o repasse de contribuições era um procedimento normal e que suspendeu os pagamentos em junho deste ano, depois das notícias veiculadas na imprensa. ''Eu estava ciente de tudo. Cheguei a ordenar alguns pagamentos. Mas resolvemos cessar as contribuições por precaução'', justificou ele, que estava acompanhado por uma tradutora juramentada a pedido do advogado criminalista René Dotti.
Troop trabalha há 22 anos no HSBC. Ele estava em Hong Kong até março de 1997, quando foi chamado para assumir a vice-presidência da seguradora no Brasil. Desde março de 1999, ele é diretor de operações órgão responsável pelo departamento de segurança do banco. Troop negou qualquer tipo de irregularidade nas investigações internas que, segundo ele, estavam voltadas à segurança de contratos, vigilância de agências e alarmes. ''Nunca tive conhecimento de grampos telefônicos'', enfatizou.
Apesar de confirmar ter conhecimento de que o ex-sargento da Polícia Militar, Jorge Luiz Martins, estava trabalhando dentro do HSBC, Troop negou que soubesse que ele ainda estava na ativa. Ele negou também que sabia de qualquer tipo de tentativa de negociação entre o banco e o sargento para que o mesmo não comparecesse mais na CPI. A suspeita de negociação foi levantada após o depoimento de Martins ao Ministério Público Federal.
No depoimento, o ex-sargento disse que foi chamado para uma reunião com o coronel Lício de Freitas Pereira, que se dizia consultor da presidência do HSBC, na empresa de segurança New Seg. Numa conversa, que teria sido gravada em fita cassete, Pereira teria feito ameaças veladas ao ex-sargento. ''Vamos arranjar um emprego para você na empresa New Seg Vigilância para dar segurança e salvar sua família. O HSBC é uma instituição internacional e não quero ver você morto numa valeta'', teria dito o coronel.
Para a próxima terça-feira, a CPI da Telefonia convocou para depor o coronel Lício Pereira, o ex-sargento da PM Jorge Martins e quatro diretores da empresa New Seg, Roberto Manzini, Luiz Carlos Taborda de Paula, Evandir Mamédio de Oliveira e Paulo Theodoro de Souza. (L.P.)

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