Diretor é morto a tiros dentro da Assembléia do Rio
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terça-feira, 22 de dezembro de 1998
Agência Folha 
O subdiretor de segurança da Assembléia Legislativa do Rio, Marcos Vinícius Lourenço da Silva, de 33 anos, morreu ontem após ser metralhado dentro do Palácio Tiradentes - sede do Legislativo estadual. Segundo o diretor de Segurança da Assembléia, Ledenísio Barata Fontes, a arma pertenceria a Tuninho Duarte (PFL) um dos deputados que denunciaram no mês passado a tentativa de suborno para que os parlamentares votasse favoravelmente à privatização da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos).
O deputado nega que a metralhadora (uma Intratec) - cuja posse é restrita às Forças Armadas e à Polícias Militar - seja sua. Lourenço foi baleado no crânio, tórax e pernas na sala de seguranças da Assembléia. Outras três pessoas estavam no local: Ledenísio Barata Fontes; outro subdiretor de segurança, Paulo César Souza; e Aladin Alan de Souza, um dos três funcionários da Assembléia que fazia a segurança de Duarte desde que o deputado se queixou de estar recebendo ameaças de morte após as denúncias da Cedae.
Segundo Fontes, a arma teria sido encontrada por Alan no porta-malas do carro que foi colocado à disposição do deputado pela presidência da AL, após as ameaças. Ele teria levado a arma para seus superiores. Fontes disse que recomendou aos subordinados que não mexessem na arma, que seria insegura (sem trava de segurança) e estaria com defeito. Ele afirma que não sabe quem segurava a arma no momento do disparo porque estava de costas.
Os outros seguranças foram liberados do serviço após o incidente. Eles serão ouvidos pelo delegado Arthur Cruz, da 1ª DP (Praça Mauá), que disse acreditar que a morte foi acidental. Uma sindicância interna também vai apurar o caso. Ontem a Unicamp comunicou à Assembléia que é impossível determinar de quem é a voz na última das fitas do escândalo da Cedae. Tuninho Duarte acusava o deputado José Amorim de ter participado da tentativa de suborno. A fita era a evidência principal para o processo de cassação de Amorim. Na semana passada, o outro deputado acusado, Aluízio de Castro (PPB), perdeu seu mandato por falta de decoro.


