Curitiba - A Sigma Dataserv Informática negou que tenha tido um contrato no valor de R$ 30 milhões com a Secretaria de Educação cancelado, como afirmou o secretário Maurício Requião. Segundo a empresa, o contrato com o Estado teve início em dezembro de 1999 e foi cumprido em sua totalidade, sendo que o governo teria repassado integralmente os recursos referentes à realização do serviço. Caso o contrato tenha sido efetivamente pago, a cifra de R$ 38 milhões em contratos e convênios cancelados divulgada ontem pode ser bem menor.
Segundo o diretor de marketing da Sigma, Luiz Eduardo de Manuel, o próprio valor total do contrato não condiz com a realidade. ''Durante quatro anos, trabalhamos na implantação do Projeto Qualidade no Ensino (PQE) juntamente com a fornecedora de equipamentos de informática Unisys. O projeto previa o repasse de R$ 24 milhões, sendo que nos últimos anos houve uma redução no orçamento. Essa verba foi repassada pelo governo do Estado, sendo que uma parte menor foi destinada à Sigma e a maior, que visava a compra de computadores e sua instalação, foi repassada à Unisys'', explicou Luiz de Manuel. O diretor não soube especificar a redução no orçamento ou a fração que coube a Sigma no contrato.
A Sigma contesta também as afirmações de que o sistema do PQE não funciona feitas por Maurício Requião. A empresa enviou à Folha documentos contendo declarações de representates do Banco Mundial, que financiou o PQE através de empréstimos, qualificando o projeto como sendo um dos modelos a serem seguidos na América Latina. ''É bom ressaltar que o consórcio Sigma/Unisys venceu uma concorrência internacional sob os padrões do Banco Mundial, que são muito mais rigorosos do que a Lei das Licitações brasileira. Representantes do banco acompanharam o projeto em todas as suas fases'', ressaltou Luiz de Manoel.
Segundo o diretor da Sigma, as eventuais falhas no sistema podem ser consideradas normais devido ao porte do projeto. ''O sistema interliga 1,4 mil instituições de ensino à Secretaria de Educação e outros órgãos do governo. Eventualmente podem surgir falhas em alguns pontos, pela falta de capacitação dos operadores do sistema ou por problemas técnicos, como a rede elétrica. Mas durante toda a implantação do projeto o sistema mostrou-se adequado ao que foi requisitado no contrato'', afirmou.

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