A CPI da Telefonia, que investiga irregularidades em contas telefônicas e denúncias de escutas clandestinas, ouviu ontem o depoimento do diretor de segurança do HSBC, Paulo Polesi. Ele negou qualquer tipo de anormalidade na contratação de policiais civis e militar para serviços internos e externos do banco. Mas não soube explicar o pagamento de delegados e investigadores de polícia por meio de Recibos de Pagamento de Autônomos (RPA). Polesi disse que os pagamentos eram feitos como espécie de contribuição voluntária do HSBC para melhoria do setor de investigação policial. ''Era para consertar viaturas, colocar gasolina. Não havia qualquer vínculo empregatício'', disse ele, contrariando depoimentos anteriores do chefe de segurança do HSBC, Florindo Lima e pelo ex-sargento da PM, Jorge Luis Martins. Martins assegurou que eram feitas escutas telefônicas no Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana além de acompanhamento de movimentações financeiras de clientes e funcionários do banco.
O ex-sargento não compareceu à sessão, mas seu depoimento ao Ministério Público Federal foi lido pelos membros da CPI. No depoimento, ele diz que foi chamado para uma reunião com o coronel Lício de Freitas Pereira, que se dizia consultor da presidência do HSBC, na empresa de segurança New Seg. Numa conversa, que teria sido gravada em fita cassete, Pereira queria saber se Martins tinha documentos e fotografias contra integrantes do banco. Ele teria feito ameaças veladas ao ex-sargento. ''Vamos arranjar um emprego para você na empresa New Seg Vigilância para dar segurança e salvar sua família. O HSBC é uma instituição internacional e não quero ver você morto numa valeta'', teria dito o coronel.
No final de julho, o contrato com a New Seg teria sido assinado com a presença de Paulo Polesi que negou tudo em depoimento à CPI. A condição era para que o sargento fosse transferido para Sorocaba (SP) e não tivesse qualquer contato com deputados ou a imprensa. ''Estive na reunião, mas não sei de nada sobre acordo com o banco. Fui chamado para dizer o que achava do ex-sargento e se tinha algo contra a contratação dele'', declarou Polesi.
Os parlamentares da CPI solicitaram cópias de todos os recibos dados pelo HSBC para policiais civis e militares. Na próxima terça-feira, deverão depor todos os diretores da empresa New Seg. O ex-sargento Jorge Martins também foi reconvocado para depor.

mockup