Diretor do BC diz à PF que Master tinha só R$ 4 milhões em caixa
Declaração foi dada no âmbito de inquérito do STF; banqueiro Daniel Vorcaro revelou conversa com governador do Distrito Federal
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Declaração foi dada no âmbito de inquérito do STF; banqueiro Daniel Vorcaro revelou conversa com governador do Distrito Federal
André Richter - Agência Brasil 

Brasília - O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, disse à Polícia Federal (PF) que o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação decretada em novembro do ano passado pela autarquia.
Aquino foi ouvido pela PF e representantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) no dia 30 de dezembro de 2025 no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga as fraudes no banco.
O ministro Dias Toffoli, do STF, decidiu na quinta-feira (29) retirar o sigilo dos depoimentos do banqueiro Daniel Vorcaro e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa no inquérito que investiga as fraudes no Banco Master. As oitivas foram realizadas dia 30 de dezembro do ano passado pela PF e a PGR.
A decisão foi proferida após o Banco Central pedir acesso ao depoimento prestado por Ailton de Aquino Santos, que também foi ouvido.
O diretor do BC disse que o Master era considerado um banco de médio porte e tinha cerca de R$ 80 bilhões em títulos de crédito. Segundo Aquino, um banco desse porte tem entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres para negociação, montante que demonstra a liquidez de uma instituição financeira. Contudo, o Master tinha somente R$ 4 milhões.
"Para pontuar isso claramente, um banco de R$ 80 bilhões [em ativos] tem liquidez de R$ 3 bilhões, R$ 4 bilhões em títulos livres. O Master, antes da liquidação, tinha R$ 4 milhões em caixa", afirmou.
O diretor de Fiscalização do BC também citou problemas de liquidez com o Will Bank, outra instituição ligada ao Master e que também foi liquidada.
"Estava com muita dificuldade o pagamento. O acompanhamento era por causa de crise de liquidez, se fechava ou não fechava o caixa", disse.
As investigações sobre as fraudes no Banco Master tramitam no STF e estão sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.
Em dezembro do ano passado, o ministro decidiu que a investigação deveria ter andamento na Corte, e não na Justiça Federal em Brasília. A medida foi tomada diante da citação de um deputado federal nas investigações. Parlamentares têm foro privilegiado no STF.
Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao governo do Distrito Federal.
De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.
CONVERSA COM IBANEIS
Vorcaro afirmou que conversou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a venda de ativos do Banco Master ao BRB, banco público ligado ao governo distrital.
Durante depoimento prestado à PF e à PGR no dia 30 de dezembro do ano passado, Vorcaro disse que os encontros ocorreram para “conversas institucionais”.
“Conversei em algumas poucas oportunidades. O governador já foi a minha casa uma vez e eu já fui na casa dele. Nos encontramos poucas vezes, para conversas institucionais", afirmou.
O banqueiro também foi perguntado pela delegada Janaina Palazzo, responsável pela investigação, sobre sua relação com políticos. Vorcaro não quis citar nomes de pessoas com quem tem relação e disse que seu trânsito pelos Três Poderes não teve relação com a tentativa de compra do Master pelo BRB.
“Tenho amigos de todos os poderes. Não consigo nominar individualmente quem frequentava a minha casa. Não vejo qual a relação com o caso. As relações políticas não tiveram a ver com esse caso do BRB”, completou.
Mais cedo, Toffoli retirou o sigilo do depoimento do banqueiro e do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa no inquérito que investiga as fraudes no Banco Master no STF.
Na semana passada, após reportagens revelarem o encontro com Vorcaro, Ibaneis confirmou as reuniões, mas negou ter tratado sobre a operação com o Master.
Em dezembro do ano passado, Toffoli decidiu que a investigação sobre o Banco Master deve ter andamento no STF, e não na Justiça Federal em Brasília. A medida foi tomada diante da citação de um deputado federal nas investigações. Parlamentares têm foro privilegiado na Corte.
NEGOU A SENHA
Vorcaro se negou a informar a senha de seu celular durante depoimento prestado à PF e à PGR. O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master.
Vorcaro foi ouvido pela delegada Janaina Palazzo nas dependências do STF após determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso.
Durante o depoimento, a delegada pediu autorização para acessar o celular do banqueiro. Após a solicitação, Vorcaro e seu advogado afirmaram que queriam preservar “relações pessoas e privadas".
Ao negar passar a senha do aparelho, Vorcaro disse que quer restabelecer a verdade e negou que o Master tenha realizado fraudes em carteiras de investimentos.
“O que eu mais quero é restabelecer a verdade. Essa fraude que foi colocada, ela não existiu, e não era para ter liquidado o banco. Não era para eu estar passando por isso”, afirmou.


