Brasília — Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), o diretor de Fiscalização do BC (Banco Central), Ailton de Aquino Santos, afirmou que a autoridade monetária enfrentou um quadro de "vazamentos sistemáticos de informações internas" durante os processos de análise e fiscalização envolvendo o Banco Master, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com o depoimento prestado no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero — e revelado pelo Estadão nesta quarta-feira (12) —, a proliferação de vazamentos gerou um clima de extrema desconfiança na cúpula do órgão regulador. Aquino relatou que a situação levou ele e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a adotarem um protocolo severo de restrição de informações.

Para evitar que decisões estratégicas fossem antecipadas à instituição financeira antes de sua aplicação formal, o alto escalão do BC optou por omitir de equipes internas a decisão de decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, aprovada posteriormente pela diretoria colegiada.

COOPTAÇÃO DE SERVIDORES

A oitiva do diretor integra o inquérito que apura a suposta conduta irregular e cooptação de funcionários do Banco Central por parte de executivos ligados ao Banco Master. Conforme apuração divulgada pelo Estadão, mensagens e documentos obtidos pelos investigadores indicam a existência de interlocução direta e repasses financeiros não autorizados a servidores para obter vantagens regulatórias e antecipação de dados sigilosos.

À PF, o dirigente do BC detalhou que a apuração interna teve início após alertas sobre a postura atípica de auditores da autarquia. O caso ganhou desdobramentos no STF (Supremo Tribunal Federal), que acompanha as diligências envolvendo a garantia do sigilo funcional e a integridade das decisões de fiscalização do sistema financeiro nacional.

EX-DONO DO MASTER PRESO

Além dos servidores do BC investigados por quebra de sigilo funcional, as apurações da Polícia Federal também miraram o vazamento de documentos do próprio inquérito policial.

A operação apura um esquema de fraude financeira no Banco Master cujos valores sob investigação chegam a bilhões de reais. O empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, acabou preso no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo as investigações, Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como o líder do esquema bilionário de emissão e negociação de títulos de crédito fraudulentos e sem lastro real no Sistema Financeiro Nacional.

Procurados para comentar as declarações prestadas à Polícia Federal, o Banco Central reiterou que colabora integralmente com as autoridades policiais e restabeleceu seus mecanismos de governança interna. A defesa dos investigados e de Daniel Vorcaro negam as irregularidades e afirmam estar à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

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