A Comissão Parlamentar de Inquérito dos Títulos Públicos decidiu ontem quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos presidentes do Banco do Estado do Paraná (Banestado), Banco do Estado de Alagoas (Produban) e Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe). A quebra refere-se ao período de 1995 a 1996, investigado pela CPI dos Títulos.
A CPI decidiu também quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois últimos presidentes do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), Altino da Cunha e Antônio Carlos Feitosa. Ambos interventores nomeados pelo Banco Central. A decisão inclui a quebra do sigilo de cartões de créditos nacionais e internacionais.
De acordo com o senador Esperidião Amin (PPB-SC), não há incoerência na quebra de sigilo bancário de funcionários do Banco Central. ‘‘Não importa que sejam interventores do Banco Central, queremos ter informações completas sobre os presidentes dessas instituições’’, afirmou. ‘‘Pedimos também a quebra do sigilo bancário de outro funcionário do BC, Jairo da Cruz Ferreira, chefe do Departamento da Dívida Pública do banco.’’
Além do sigilo bancário de Cruz Ferreira, a CPI resolveu quebrar o sigilo das contas bancárias da mulher dele, Tânia Maria Santos Grangel, porque os senadores obtiveram informações de que ela receberia pagamentos no lugar de seu marido.
O presidente do Banco do Estado do Paraná (Banestado), Domingos Murta Ramalho, não vê ‘‘problema algum’’ em ter seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrado. ‘‘Não vai mudar nada’’, afirmou Ramalho, através da assessoria de imprensa do banco. A assessoria de imprensa do Banespa disse hoje que Altino Cunha e Antônio Carlos Feitosa encararam com naturalidade a quebra de seus sigilos bancários.
A Comissão Parlamentar de Inquérito dos Títulos Públicos encontrou 209 ligações telefônicas do Banco Vetor e da corretora Boa Safra para o celular do secretário de Fazenda de Santa Catarina, Paulo Prisco Paraíso. A informação foi revelada ontem pelo senador Vilson Kleinubing (PFL-SC). Os telefonemas aumentam as suspeitas da CPI de ligação de Paraíso com as irregularidades praticados pelo Vetor e pela Boa Safra.
Kleinubing vai sugerir ao relator, senador Roberto Requião (PMDB-PR), uma nova convocação do presidente da Boa Safra, Fausto Solano Pereira, que recebeu um cheque de R$ 9,7 milhões da IBF Factoring.

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