Diretor defende participação do BC no negócio
Ao contrário de Fraga, o diretor Alvarez fez uma defesa da venda de dólares aos bancos Marka e FonteCindam por preços mais baixos. Na época, Alvarez era chefe do Departamento de Fiscalização e participou da decisão. Se o Banco Central não tivesse agido haveria quebra de confiança nos mecanismos de hedge (seguro) da Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F), o que era um risco muito grande que não valia a pena correr, explicou. A banda cambial teria estourado e gerado o caos no sistema financeiro, com quebra em cadeia de bancos, inclusive os grandes.
Requião quis saber que risco sistêmico poderia ser provocado pela quebra de dois bancos pequenos, mas os argumentos apresentados por Fraga Neto e Alvarez mostraram que a preocupação do BC era com a defesa da política de banda cambial, que tinha acabado de ser instituída pelo governo. Fraga disse que a decisão de ajudar o Marka e ao FonteCindam foi de toda a diretoria, mas não soube dizer se houve alguma recomendação superior. A CPI pode perguntar isso para as pessoas que participaram da decisão, afirmou.
O presidente do BC informou que a venda de dólares para o Marka e o FonteCindam não foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), nem mesmo depois de feita. O CMN tomou conhecimento pela imprensa, disse, em resposta a um questionamento de Requião.
Alvarez destacou o pouco tempo que a diretoria do BC teve para tomar a decisão, que foi sugerida pela direção da BM&F. No caso do Marka, foram um dia e algumas horas e no caso do FonteCindam, foram algumas horas. Alvarez mencionou uma imagem de jogo de futebol. Falar que um juiz errou num lance, depois de o ver várias vezes no replay é fácil; difícil é decidir no calor da batalha.
Fraga elogiou a criação da CPI. Ela é importante porque a sociedade demanda e merece esclarecimentos completos sobre as suspeitas que estão sendo levantadas, afirmou. O País precisa de um Banco Central que tenha credibilidade, pois ele é o guardião da moeda, acrescentou. Ele admitiu que o simples fato de que o Banco Marka estava fazendo operaçõesö na BM&F que correspondiam a 20 vezes o patrimônio é motivo suficiente para a abertura de uma investigacão. (A.E.)





