Diretor de hospital é efetivo da Assembleia
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sábado, 04 de abril de 2009
Catarina Scortecci e Karla Losse Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um dos funcionários efetivos da Assembleia Legislativa trabalha, ao mesmo tempo, num hospital particular de Curitiba. O médico Jackson Miguel Baduy é diretor-geral do Hospital Vita, mas seu nome também aparece na lista de funcionários efetivos do Legislativo, divulgada na última quarta-feira. A reportagem da FOLHA apurou ainda que os horários cumpridos pelo médico no hospital poderiam impedir que ele cumprisse, também, expediente na Assembleia Legislativa.
Sexta-feira, na Assembleia Legislativa, a reportagem foi informada pelo departamento de recursos humanos que Baduy estaria lotado no ''serviço médico'' da Casa. Ao procurá-lo no local, uma funcionária afirmou que ele chegaria a partir do meio-dia. Em outro contato, às 14 horas, a informação na sala de ''serviço médico'' é de que Baduy já teria saído. O horário de trabalho que ele costuma cumprir no local, segundo nova informação prestada ao telefone, seria do meio-dia às 13 horas. Mas, ao telefonar para o hospital, a informação era de que ele poderia ser encontrado à tarde, das 14 às 17 horas, e em horários variados pela manhã.
A FOLHA tentou insistentemente localizar o médico para comentar as informações, mas não houve retorno.
A revelação dos nomes das pessoas que atuam na Assembleia Legislativa seria o primeiro passo na adoção de mecanismos de transparência, prometida há cerca de um ano pelo presidente da Casa, Nelson Justus (DEM). Na segunda-feira, três projetos de resolução que tratam da transparência também devem entrar na pauta do plenário.
Entre as novidades previstas nos projetos de resolução, está a que determina que os servidores em geral deverão preencher declarações de que ''não exerce cargo, emprego ou função pública'' e de que ''não possui incompatibilidade de horário com o exercício do cargo''.
Os três projetos de resolução também tentam definir a existência do funcionário que atua na base do parlamentar. A equipe da FOLHA apurou que, diante das suspeitas relativas a funcionários ''fantasmas'', o comando da Casa optou por ''explicar'' no papel a função daqueles que trabalham fora do edifício da Assembleia Legislativa, em Curitiba.
Trecho dos projetos de resolução define que as ''atividades nas bases de representação dos parlamentares são consideradas extensões dos respectivos gabinetes a fim de proporcionar a facilitação e otimização das atividades, em especial o atendimento da população interessada''.


