Diretor de banco admitiu proteger contas
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2000
Cristiane Oya De Londrina 
O ex-diretor de Operações do Banestado, Gabriel Nunes Pires, citado na ação contra Beto Youssef, confirmou em depoimento ao MP, no dia 23 de fevereiro, que a direção do Banestado tinha conhecimento das contas fantasmas em Londrina. No entanto, a manutenção das contas seria de interesse do banco, já que geravam grande arrecadação financeira em tarifas.
Pires relatou que segundo o gerente da agência Centro Wilson Maeda, somente uma dessas contas gerava em tarifas cerca de R$ 150 mil por mês. Se errei, errei em permitir a manutenção dessas contas com a finalidade de favorecer o próprio banco, declarou Pires no depoimento.
Ele afirmou que foi apresentado a Beto Youssef pelo superintendente regional José Colette. Este teria esclarecido que Youssef era cliente do banco e que mantinha contas em nome de terceiros para movimentação de valores utilizados em operações de câmbio. As contas fantasmas no Banestado foram detectadas pela auditoria interna realizada em 98 e 99, em que foram monitorados grandes movimentos.
Em maio de 99, os auditores do Banestado, Maria do Rocio de Lima e Luiz Strapasson encaminharam um comunicado do Banco Central, solicitando as datas de encerramento de 25 contas irregulares. Os gerentes Mário César Cobianchi e Maria Regina Bosqui responderam que sete contas eram inexistentes e as demais foram encerradas no dia nove de março e e seis de maio de 99.
No início de outubro de 99, um documento assinado pelo gerente de divisão Henrique Ataldo Filho e enviado à agência Centro, solicitou o fechamento imediato de oito contas em que foram comprovadas irregularidades. No entanto, através de fax, o gerente Wilson Maeda, também citado na ação e o gerente administrativo Mário César Cobianchi, comunicaram a Curitiba que o as contas foram mantidas por solicitação de Gabriel Nunes Pires.
O ex-diretor de operações salientou que lhe foi apresentada uma relação de 30 contas correntes, preparada pelo Banestado, que foram encerradas por irregularidades. Ele declarou ainda que Colette e Maeda tinham pleno conhecimentos dessas contas.
Em depoimento prestado à Polícia Federal, em 11 de maio, o ex-gerente administrativo João Batista de Lima afirmou que inúmeras contas de pessoas físicas e jurídicas foram abertas na agência centro, por determinação de Pires, com o conhecimento do gerente geral Flávio Luiz Lopes, que posteriormente teria confirmado que o superintendente regional, José Colete, estava ciente dos fatos.
A assessoria de imprensa da Regional do Banestado afirmou ontem que não estava autorizada a se manifestar sobre a ação. A assessoria do Banestado em Curitiba emitiu nota dizendo que o Banco Itaú atual controlador do Banestado está aguardando a conclusão do processo para as devidas providências.


