Diretor da TCGL é preso pelo Gaeco
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O diretor-geral da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Gildalmo de Mendonça, foi preso ontem no final da tarde na sede da empresa, na avenida Brasília, por agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O mandado de prisão temporária, com validade de cinco dias, foi expedido pela juíza substituta da 3 Vara Criminal, Zilda Romero.
Segundo o delegado do Gaeco, Alan Flore, a medida foi tomada para facilitar a investigação sobre o suposto ''mensalinho da TCGL'' - denúncia feita pelo ex-vereador Orlando Bonilha (PR), de que a empresa pagaria uma mesada de R$ 1,6 mil para 11 vereadores. Após o depoimento do ex-vereador ao Gaeco, foi instaurado inquérito policial sobre o caso.
''A medida foi requerida haja vista ele ter sido apontado como mentor intelectual desse esquema de distribuição de propina para vereadores e isso poderia prejudicar eventual coleta de provas materiais no curso das investigações'', disse Flore. O delegado explicou que Gildalmo deverá ser interrogado nos próximos dias, mas não quis falar sobre outras diligências que poderão ser tomadas neste período. Nos próximos dias, outras pessoas relacionadas no inquérito também deverão ser intimadas para depor.
A denúncia de pagamento de ''mensalinho'' pela TCGL foi reforçada na semana passada pelo depoimento do vereador Roberto Fu (PDT), que alega ter sido informado de que seu nome constava na lista de beneficários da empresa em 2005, por meio do vereador afastado Renato Araújo (PP). O pagamento dos valores teria por objetivo impedir críticas dos vereadores à empresa concessionária de transporte coletivo. Foram citados na denúncia os vereadores afastados Sidney de Souza (PTB), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Jamil Janene (PMDB), Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (sem partido), Flávio Vedoato (PSC), os ex-vereadores Orlando Bonilha (PR) e Henrique Barros (sem partido), e os vereadores Marcelo Belinati (PP), Sandra Graça (PP) e Gláudio Renato de Lima.
O diretor da TCGL foi transportado em viatura policial para a sede do Gaeco, onde chegou, perto das seis da tarde, sem algemas. Após ser ''fichado'', ele foi levado para o Centro de Detenção e Ressocialização (CDR).
Gildalmo se recusou a prestar esclarecimentos aos policiais, mas conversou com a reportagem da FOLHA. Aparentando nervosismo e com as mãos trêmulas, disse que estava se sentindo ''surpreso e constrangido''.''Eu estava trabalhando e recebi os policiais para entregar a intimação de um interrogatório. Na sequência chegou o delegado e disse que eu estava preso'', contou. ''Sei que se relaciona com a denúncia (do mensalinho), mas não sei porque precisa prender. Tenho endereço e trabalho fixo e moro há mais de dez anos em Londrina. Mas quem não deve, não teme'', disse.
O diretor da TCGL voltou a negar o pagamento de mesada aos vereadores. ''Isso é uma invenção, a gente nem precisa da Câmara. A tarifa e as outras questões relacionadas ao transporte são decididas pelo Executivo. Não sei porque inventaram essa história.'' Gildalmo informou também que o grupo Constantino, controlador da TCGL, iria enviar um advogado de Curitiba para cuidar do caso. O grupo Constantino também é proprietário da Gol Linhas Aéreas, da VRG S/A, que detém a marca Varig, da Transportes Coletivos Cidade Canção (TCCC), que opera o sistema em Maringá, e de diversas outras empresas de transportes coletivos no interior de São Paulo.


