Diretor da Copel explica parceria na AL
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quarta-feira, 12 de maio de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O diretor de Gestão Corporativa da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Gilberto Griebeler, esteve ontem na Assembléia Legislativa para dar explicações ao Poder Legislativo sobre o compromisso de compra de ações da Triunfo, parceira da Copel nas Centrais Elétricas do Rio Jordão (Elejor), que está em construção. O compromisso é questionado pela bancada de oposição, que considera a transação um mau negócio. Griebeler foi à Assembléia por solicitação da oposição.
A Triunfo pertence ao grupo responsável pela construção da Estrada da Boiadeira, cujas obras foram suspensas por ordem do Tribunal de Contas da União (TCU) em junho de 2003. O TCU apurou que a Triunfo fez um acordo com outra empreiteira, repassando o serviço em troca de uma comissão de 5%.
A Elejor foi constituída em 2002, com 40% de participação da Copel, 30% da Triunfo Participações e 30% da Paineiras. De acordo com o deputado Fernando Ribas Carli (PP), a Copel está fazendo um mau negócio ao se propor a comprar as ações da Triunfo. No dia 29 de dezembro do ano passado, a Copel publicou um fato relevante, no qual explica que, de acordo com os rumos traçados no planejamento estratégico da companhia, a direção da Copel decidiu aumentar sua participação na Elejor.
Para isso, firmou com a Triunfo um compromisso de compra e venda de ações ordinárias da Triunfo, detentora de 30% de participação. Mas a concretização da compra ficou condicionada a aprovações prévias da Assembléia Legislativa, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o que ainda não aconteceu em nenhuma dessas instâncias. Na Assembléia, tramita um projeto que autoriza a Copel a assumir o controle da Elejor, mas o mesmo ainda não foi votado. Se concretizada a compra, a Copel fica com 70% de participação na Elejor.
Fazem parte da Elejor duas usinas no Rio Jordão: Santa Clara e Fundão. Carli alega que a Triunfo ganhou 100% do que investiu na obra. ''No final de 2003, a Triunfo tinha gasto com a Elejor R$ 21 milhões. Mas com a venda dos 30% de participação para a Copel, ganha 100% do que investiu, e continua fazendo a obra'', reclamou Carli. Ainda segundo ele, a Triunfo já havia vendido em 2003 cerca de R$ 60 milhões em debêntures para a Fundação Copel, o fundo de previdência dos funcionários da estatal. Carli pensa em entrar na Justiça com uma ação popular questionando a parceria entre a Copel e a Triunfo.
Na sua explanação, que durou cerca de duas horas, Griebeler explicou que o que existe é apenas um compromisso de compra e venda de ações. Além disso, segundo ele, os investimentos feitos pela Triunfo tiveram valorização ao longo do tempo. O diretor da Copel frisou que a obra está ''rigorosamente em dia''. A Folha não conseguiu contato com o escritório da Triunfo em Curitiba.


