Curitiba - O diretor-geral da Assembleia Legislativa, Abib Miguel, pediu ontem afastamento de suas funções na Casa. Bibinho, como é conhecido, é apontado como responsável por uma rede de pessoas que receberiam supersalários da Assembleia. O pedido, apresentado ao presidente do Legislativo, Nelson Justus (DEM), foi deferido no início da noite de ontem. Miguel afirma, em carta a Justus, que as denúncias feitas contra ele pela RPC TV e o jornal Gazeta do Povo ''merecem ser apuradas por essa Casa de Leis, de forma clara e cristalina, sem qualquer possibilidade de minha interferência''.
Segundo reportagem da Gazeta, 73 pessoas teriam recebido R$ 59,6 milhões entre 2004 e 2009.
Segundo a assessoria de imprensa de Justus, o afastamento de Miguel tem efeito imediato.
Desde o início do escândalo Justus já determinou que os ''diários secretos'' - Diários Oficiais da Assembleia, que deveriam ser públicos, mas tem acesso restrito - sejam publicados na internet e que o recadastramento dos funcionários da Casa agora será anual.
Ontem os três principais pré-candidatos ao governo do Paraná comentaram o assunto. Para o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), que já foi deputado estadual e esteve envolvido no escândalo da sogra fantasma, ''toda denúncia deve ser apurada''. ''O Justus tomou prontamente medidas de transparência e austeridade que visam esclarecer esses episódios'', completou.
O senador Osmar Dias (PDT) disse que as denúncias devem ser investigadas ''pelo Ministério Público''. ''A Assembleia tem que abrir esses dados para o MP'', explicou.
''Quando fui presidente sempre procurei apurar os fatos'', afirmou o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), que exerceu a presidência da Assembleia de 1993 a 1995. Ele disse não acreditar que as denúncias cheguem a interferir nas eleições desse ano ''a não ser que se aponte o envolvimento de algum deputado''.

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