Brasília - Os integrantes da CPI dos Correios aprovaram no início da noite de ontem requerimento para que o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Jorge Félix, e o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Mauro Marcelo de Lima e Silva, sejam convocados para prestar depoimento. Embora o assunto dos depoimentos seja a investigação que a Abin fez nos Correios, a medida foi uma resposta à carta divulgada pelo PFL na tarde de ontem, na qual Lima e Silva chama os congressistas de ''bestas-feras''.
A nota circulava internamente na agência e chegou às mãos do PFL por meio de um informante. Na carta, o diretor fez uma espécie de protesto ao depoimento público do agente Edgar Lange, que falou à CPI na semana passada. A Abin havia pedido que o depoimento fosse secreto para não expor a imagem do agente, sob o argumento de que o servidor teria problemas para fazer investigações depois do depoimento. Os integrantes da CPI decidiram fazer uma sessão aberta.
No documento, Mauro Marcelo critica a AGU (Advocacia-Geral da União) por não se empenhar, na opinião dele, para defender o servidor e diz que a CPI é um ''picadeiro''.
O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), telefonou para o ministro-chefe Jorge Armando Félix, que confirmou a autenticidade do documento.
Os integrantes da CPI também aprovaram outro requerimento solicitando que o Ministério Público abra processo criminal contra o diretor-geral. Na avaliação dos congressistas, Lima e Silva ofendeu deputados e senadores.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), respondeu com irritação à nota do diretor-geral da Abin. Calheiros prometeu processá-lo e indiretamente pediu a demissão do funcionário da Abin. ''Juridicamente eu vou encaminhar todas as providências possíveis, as mais duras possíveis. As medidas administrativas cabem ao presidente da República (Luiz Inácio Lula da Silva)'', afirmou. ''Se esse destrambelhado fosse funcionário do Congresso Nacional, ele estaria demitido no primeiro minuto'', concluiu.
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) classificou o governo Luiz Inácio Lula da Silva como ''um estado policial que precisa ser contido''. Segundo a Agência Senado, ACM disse que a convocação do diretor da Abin e a operação policial na loja Daslu foram provocados na tentativa de desvio da atenção da opinião pública para abafar a ação das CPIs em funcionamento no Congresso. No caso da Daslu, o senador entende que houve arbitrariedade nunca vista ''nem no regime militar''. ''Deveriam é abrir a sede do PT para ver o que existe lá e averiguar por que razão o filho do presidente recebeu dinheiro da Telemar'', finalizou.

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