Diretor acumula salário com verba de conselheiro
Além dos parentes de dois vereadores, o Conselho de Administração (CA) da Sercomtel tem outra peculiaridade: sua presidência é ocupada pelo diretor de Planejamento da telefônica, Francisco Moreno, que, para tal, acumula um salário de R$ 15 mil mensais (via diretoria) e uma verba de representação de R$ 3 mil (como conselheiro). Somadas, as duas fontes de renda equivalem praticamente ao salário do presidente da empresa, Gabriel Ribeiro de Campos, que é de cerca de R$ 18 mil (brutos) ao mês.
Funcionário de carreira na Sercomtel há 22 anos e um dos braços direitos do prefeito Nedson Micheleti (PT) desde o primeiro mandato, Moreno, formado em Ciências Sociais, explicou que o acúmulo de remunerações é prerrogativa da Lei das Sociedades Anônimas (S/As), natureza jurídica da telefônica.
''Desde que a empresa foi criada, a presidência do CA é ocupada pelo presidente ou por um funcionário de carreira que passa a receber a verba de representação como os demais conselheiros - isso não incorpora no salário'', interpretou. ''A Lei das S/As só impediria que eu recebesse, por exemplo, pelo Conselho Fiscal'', explicou.
Questionado sobre quem o teria indicado para o posto, afirmou que a escolha partiu do próprio Nedson, em cuja campanha pela reeleição trabalhou como um dos coordenadores. Sobre as atribuições do CA, relatou que elas se referem a ''analisar projetos de investimento ou despesa acima de R$ 1 milhão antes de serem encaminhados para processo de licitação''.
Se ele se sente isento para votar no CA um projeto de investimento que tenha origem na diretoria que ele chefie? Moreno garante que sim. ''A responsabilidade é muito grande; a mesma, eu diria, nas duas funções - cada conselheiro tem a sua opinião na hora de deliberar, eu tenho a minha, e me sinto, sim, isento'', respondeu. (J.G.)





