Curitiba - João, 17 anos, e José, 18 (nomes fictícios) já sabem há algum tempo em quem votarão hoje para o cargo de presidente do Brasil. Eles analisaram todos os candidatos durante o Horário Eleitoral Gratuito e também tiveram aulas sobre a história das eleições, os diferentes partidos e a importância de não vender o voto. Os dois jovens atualmente moram no Centro de Socioeducação São Francisco, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), destinado a meninos entre 14 e 21 anos que cumprem medidas socioeducativas de privação de liberdade.
  Esta é a primeira vez que os jovens moradores do local irão participar das eleições. Isso foi possível por meio da Resolução 23.219/2010, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), garantindo que presos provisórios e adolescentes em medida socioeducativa de todo o País tenham assegurado o direito ao voto. Por ser um projeto piloto, os jovens nesta situação serão os únicos do Paraná a participarem da eleição.
  De todos os adolescentes com mais de 16 anos que poderiam votar no Centro São Francisco, apenas três não se interessaram por fazer o título de eleitor. ‘‘Teve gente que ficou indignada por conta disso e não entendia como alguns não quiseram votar’’, conta o professor de artes Renê Scholz.
  Ao todo, 34 jovens irão participar das eleições de hoje. Uma urna será disponibilizada especialmente para o Centro de Socioeducação, entre 8 e 17 horas. Os mesários serão os próprios funcionários do local, que também irão votar lá.
  O que algumas pessoas não sabem é que os jovens do chamado ‘‘Educandário São Francisco’’ podem estar melhor preparados para votar do que muita gente. Além das aulas especiais sobre eleições, nas quais os professores alertaram sobre diversos assuntos relacionados ao tema, eles tiveram a oportunidade de entrevistar o juiz da 155ªZona Eleitoral de Piraquara, Ruy Alves Fernandes Filho, durante um programa de rádio destinado aos internos, chamado ‘‘O Xadrez da Política’’. As perguntas foram elaboradas pelos jovens, com a ajuda do professor de sociologia Mário Celso Pasqualin.
  O juiz foi até o educandário e respondeu perguntas como o que faz cada político, a importância do voto consciente, como funciona a contagem de voto majoritário e as coligações. Na última quinta-feira, os adolescentes puderem acompanhar em uma listagem eleitoral o número e nome de cada candidato para elaborar uma ‘‘cola’’ para levar hoje à urna. ‘‘Nas outras eleições isso nem era cogitado. Vivemos um momento histórico’’, opina o educador e professor de informática, Dilmar Paulo Schmitter.
  Os 110 jovens que atualmente residem no Centro Socioeducativo São Francisco cumprem medidas por delitos, tráfico de drogas ou homicídios e participam de cursos e ações com o intuito de gerar a ressocialização ao saírem de lá.

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