Um estudo da Escola de Comunicação da FGV (Fundação Getulio Vargas) aponta que, após a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, a direita conseguiu se reorganizar digitalmente em torno das pautas da segurança pública e do combate ao tráfico de drogas — áreas que ganharam destaque após sucessivas derrotas discursivas em temas antes favoráveis, como economia e nacionalismo.

Entre 0h de terça-feira (28) e 12h de quarta (29), cerca de 1,92 milhão de publicações no X (antigo Twitter), Facebook, Instagram, YouTube e sites de notícia repercutiram o tema, que resultou em mais de 60 milhões de interações digitais e mais de 500 mil buscas sobre o estado no Google.

“No X, em sua maioria, os perfis se dividem entre aqueles que endossam a opinião de Castro e cobram ação do governo federal e aqueles que criticam o governador pela política de segurança ‘falha’ e alegam tentativa de ‘politização’ com a sua fala. De forma paralela a esse debate majoritário, posts informativos da mídia tradicional e perfis regionais focam em notícias e atualizações sobre a ação policial”, diz o estudo da FGV.

“No Instagram, postagens de tom informativo e, logo depois, político, são majoritárias. Perfis de entretenimento respondem por 5 dos 10 posts mais engajados sobre o tema, indicando capilaridade importante no debate geral na rede”, continua o levantamento.

Segundo o estudo, entre os argumentos de maior visibilidade, destacam-se publicações que pedem medidas radicais na segurança do Rio, com comparações à Faixa de Gaza e sugestões de uso de estratégias do Exército de Israel.

A pesquisa também identificou polarização crescente em torno do episódio, com parte dos perfis responsabilizando o presidente Lula, “com afirmações de que o mandatário teria sido conivente com o crime organizado ao longo de sua trajetória e que teria nutrido relações com o Comando Vermelho”.

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Cláudio Castro foi a figura mais associada à megaoperação — a maior parte das menções com tom negativo, embora perfis de direita tenham elogiado a ação. Lula aparece em segundo lugar, impulsionado por ampla mobilização de contas oposicionistas.

"Em contexto, esse movimento se alinha a uma reorganização do campo da direita em torno da pauta da segurança e tráfico de drogas, após uma série de derrotas discursivas em temas antes favoráveis, como economia e nacionalismo", cita o estudo.

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