Curitiba - O diretor-geral da Rádio e Televisão Educativa (RTVE), Marcos Batista, irá se reunir hoje com integrantes da Procuradoria Geral do Estado (PGE) para tentar encontrar uma solução para os 171 funcionários da empresa que foram contratados como autônomos no governo Roberto Requião (PMDB). Uma ação protocolada ontem pelo vereador de Curitiba, Fábio Camargo (PFL), pede a suspensão imediata dos contratos de trabalhos dos funcionários, alegando que a contratação só poderia se dar através de concurso público ou de nomeação para cargos em comissão.
Batista afirmou que pretende criar um plano de cargos e salários para os funcionários da RTVE, com a criação de vagas para regularizar a situação dos profissionais. Ele garante que a criação do plano não se deu em virtude da ação protocolada por Camargo ou por pressões da imprensa. ''Essa situação do pagamento dos cachês aos autônomos já é uma preocupação antiga que tínhamos. Chegamos, inclusive, a montar uma comissão para fazer um raio-x da emissora para podermos elaborar um organograma com as funções necessárias e a maneira de ocupá-las'', afirmou o diretor-geral da RTVE.
Segundo Batista, a regularização da situação dos funcionários só não ocorreu antes em virtude das dificuldades burocráticas para se realizar a mudança dos autônomos para o quadro próprio de servidores do Estado. ''Infelizmente, pode ser que até mesmo a minha contratação (em fevereiro deste ano) tenha atrasado esse processo. Como eu tive que me inteirar da situação da Educativa, posso ter atrasado o processo de regularização em cerca de um mês'', lamentou Batista.
Segundo o diretor-geral da RTVE, a coexistência de funcionários concursados e autônomos na emissora não traz constrangimentos apenas de ordem legal. ''O que acontece é que em certos casos dois profissionais exercendo a mesma função recebem salários diferentes, e isso gera constrangimentos. Muita gente do quadro próprio não tem reajuste há mais de oito anos, e acabam ganhando menos do que os que foram contratados agora. Da mesma forma, alguns servidores com mais tempo de carreira chegam a ganhar mais do que os próprios membros da direção. Fica difícil trabalhar em equipe desse jeito'', desabafou.
Além da ação pelas contratações, a RTVE também é alvo de outra ação também protocolada por Fábio Camargo contra a programação da tevê estatal. Camargo argumenta que a tevê estaria sendo utilizada para a promoção política e pessoal de Requião, o que é contra a lei. Batista rejeita as acusações. ''Nos últimos meses temos criado vários programas voltados para a cultura, o lazer e a informação de cunho social. Um dos maiores exemplos é a divulgação do esporte amador, que vem sendo muito elogiada. O que acontece é que, por vezes, quando surge algum tema polêmico, o governador utiliza a RTVE para explicar algo que por algum motivo não consegue expôr em outros meios'', afirmou Batista.

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