Direção da Força Sindical filia-se ao PFL
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domingo, 14 de setembro de 1997
Agência Estado 
São Paulo
Arquivo FolhaCom a filiação de Luiz Antônio de Medeiros e de outros diretores, o PFL ganha uma cara sindical. Troca de partidos foi efetivada com a inclusão das reivindicações da central no programa do partidoAs lideranças sindicais paulistas estão descobrindo que existe muito espaço político a ser explorado além dos tradicionais PT, PDT e PTB. No próximo dia 29, o presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, e alguns diretores filiam-se ao PFL em solenidade no Palácio do Trabalhador. O partido também atraiu um importante líder empresarial. No dia 25, em almoço no Clube Pinheiros, quem assina a ficha pefelista é o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, representante dos sindicatos patronais.
Segundo o vice-prefeito de São Paulo, Régis de Oliveira, um dos líderes do PFL no Estado, não há nenhuma discrepância na junção capital e trabalho abrigados sob uma agremiação de direita. Essa é a visão moderna do liberalismo, que busca frear o capitalismo selvagem e prega a valorização social dentro do liberalismo, disse. Essa é a diferença entre o novo liberalismo, em voga na Europa e em especial na Alemanha, e o neoliberalismo, segundo Oliveira. O sociólogo francês Alain Touraine tem a mesma opinião. Anteontem, em Brasília, Touraine lembrou que os sindicatos brasileiros estão migrando da esquerda para a direita, repetindo a trajetória dos sindicatos americanos.
A filiação de Medeiros é um exemplo. Mais do que uma simples troca de partidos (Medeiros hoje é do PTB), sua filiação faz parte de uma ampla negociação. O PFL ganha uma cara sindical em troca da inclusão de propostas defendidas pela Força no programa de governo pefelista para 98. Entre as reivindicações estão a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 36 horas, com o governo bancando a redução por meio de isenção de impostos; mudança no FGTS, com liberdade para o titular da conta optar por fundos de investimentos; reestruturação do sistema sindical com o fim do imposto anual como o primeiro passo da reorganização dessa estrutura.
A escolha do PFL em detrimento de partidos ligados historicamente ao trabalhismo e ao sindicalismo é pragmática. Sem representação legislativa os projetos não andam e hoje quem tem influência no Congresso, quem manda, são PSDB e PFL, não adianta procurar outro, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Ao contrário do que foi anunciado, ele não se filiará ao PFL. Participo do projeto e apoio o Medeiros, mas ajudo mais do lado de fora. Paulinho também é filiado ao PTB, mas diz que não milita.
As propostas da Força foram encaminhadas à Direção Nacional do PFL e aprovadas por unanimidade pela Executiva Nacional para serem incluídas no programa de governo do partido. O fato de a Fiesp ser contra à redução da jornada de trabalho, por exemplo, não é problema. Nossas reivindicações serão incorporadas no programa do PFL; se o Moreira Ferreira é contra o problema é dele, disse Paulinho.


