Direção da Ferropar discute rescisões com funcionários
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quarta-feira, 03 de janeiro de 2007
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O administrador judicial da massa falida da Ferropar, Augusto Antônio de Conto, se reúne hoje à tarde com um representante dos funcionários da empresa - que de 1997 ao último mês de dezembro ficou responsável pelo trecho da ferrovia que liga Cascavel a Guarapuava - para tratar de assuntos relacionados às rescisões dos contratos. É que depois da falência decretada pelo juiz Rosaldo Elias Pacagnan, da 3 Vara Cível de Cascavel, no último dia 15 de dezembro, todos os funcionários que trabalhavam na Ferropar (pouco mais de 100) tiveram seus contratos rescindidos pelo administrador judicial. A falência da Ferropar foi pedida pela Ferroeste, do governo do Estado, que passou agora a administrar o trecho. A Ferropar ainda tenta reverter judicialmente a situação.
De acordo com o administrador judicial, os funcionários ainda têm que receber a segunda parcela do 13º salário, que venceu no dia 20 de dezembro, depois da falência (15 de dezembro). Também deverá ser feito ainda o pagamento das verbas rescisórias e do salário referente ao mês de dezembro (do dia 1º ao dia 15). ''É uma situação delicada porque todo mundo perdeu o emprego. Os contratos são brutalmente rescindidos, é automático após a falência'', disse ele. O diretor da Ferroeste, Samuel Gomes, disse que os serviços no trecho da ferrovia não foram interrompidos em função da falência da Ferropar. Um grupo de funcionários estaria trabalhando, sem contrato, para dar continuidade aos serviços essenciais.
O diretor da Ferroeste acusou o ex-comando da Ferropar de ter tentado promover uma espécie de boicote nos serviços da ferrovia. ''Eles tentaram convencer alguns funcionários para paralisarem os trabalhos, mas não conseguiram'', afirmou ele, acrescentando que chamou a polícia para apurar o caso. O advogado da Ferropar, Antônio Modesto, nega qualquer tipo de boicote e afirma que o diretor da Ferroeste tenta, ''com frequência, difamar a Ferropar''.
Questionado sobre o impasse, o administrador judicial disse que desconhece o suposto boicote, e enfatizou que o contato com os funcionários têm sido feito pela Ferroeste. A reportagem não conseguiu, ontem à tarde, contato com o representante dos funcionários. O administrador judicial explicou que está fazendo um levantamento dos credores da Ferropar e verificando quais são (e quanto vale) os bens patrimoniais da empresa, como equipamentos, veículos, móveis e utensílios.


