Dirceu sabia de empréstimos ao PT, diz Valério
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terça-feira, 09 de agosto de 2005
Folhapress 
Brasília - Em seu terceiro depoimento ao Congresso, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza apresentou ontem nomes de 75 pessoas supostamente ligadas ao PSDB que teriam sido beneficiadas em 1998 por dinheiro originado de esquema semelhante ao que resultou na atual crise política. Afirmou ainda que o ex-ministro José Dirceu era o avalista superior dos empréstimos feitos por suas empresas para financiar o PT e partidos aliados e, em vários momentos, atacou o publicitário Duda Mendonça.
Em mãos diferentes e em situações diferentes, eles são similares, sim, disse sobre os repasses ao PT e os de 1998, durante a campanha de reeleição do então governador tucano de Minas, Eduardo Azeredo.
Apesar de manter as acusações de que Dirceu sabia dos empréstimos repassados ao PT, o empresário não apresentou provas. Disse apenas que sabia do fato por tê-lo ouvido do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. [Os empréstimos] tinham o aval do senhor Delúbio Soares, que cansou de me falar que o senhor José Dirceu sabia das operações, afirmou num depoimento em que chegou a dizer que não morria de amores pelo ex-ministro e que concordava com a opinião de que se tratava de uma pessoa arrogante e prepotente.
Apontado como o operador do pagamento de mesadas a deputados, Valério reafirmou na CPI do Mensalão que Duda Mendonça foi beneficiado por R$ 15,5 milhões oriundos de suas empresas. Duda nega as transações.
O dinheiro saiu das minhas contas. Eu sei para quem eu dei. O senhor Duda Mendonça recebeu o que está aí [na lista], afirmou o empresário, que entregou ainda à CPI cópias de propostas de contratos assinados pela sócia de Duda, Zilmar Fernandes, em 1998, para a campanha tucana em Minas Gerais.
Segundo Valério, ele repassou R$ 4,5 milhões, por meio de Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha tucana de Minas em 98, para o pagamento de notas assinadas pela sócia de Duda.
Ao contrário do que dissera à CPI dos Correios, em 6 de julho, Valério apresentou a lista de 31 beneficiários de empréstimos que suas empresas contraíram nos bancos Rural e BMG, em 2003 e 2004, e que repassaram a pessoas indicadas pelo PT. A lista, que totaliza repasses de R$ 55,7 milhões, foi a mesma entregue na semana passada à Procuradoria Geral da República. Já os 75 nomes da lista de 1998 seriam aliados do hoje presidente do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), então candidato ao governo de Minas Gerais. Eles teriam recebido R$ 1,8 milhão. Mas Valério diz ter repassado R$ 10 milhões - ele não teria conseguido reunir os demais comprovantes. Na época não valia a pena eu brigar com o hoje senador Eduardo Azeredo nem com o PSDB porque ele [o partido] era governo federal. Eu perderia minhas contas, afirmou Valério.
Valério negou ter ido a Lisboa com o tesoureiro informal do PTB Emerson Palmieri para levantar recursos na Portugal Telecom. Ele negou também ter se apresentado como consultor do governo brasileiro. Disse ter ido tratar de contas publicitárias com a multinacional e que Palmieri foi com ele para fugir do Roberto Jefferson, que o estaria pressionando para conseguir dinheiro para o PTB.
O depoimento do publicitário começou às 12h15 e não havia se encerrado até o fechamento desta edição. Nele, Valério atacou também Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias sobre o mensalão, afirmando ter ouvido que o genro do petebista, Marcus Vinícius Ferreira, teria tentado desviar recursos do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), que era controlado pelo PTB.
Seu depoimento foi pontuado por declarações de que estaria arrependido, de que sua vida estaria acabada e de que estaria quebrado. Deus me deu dois braços. Se ninguém me der emprego, se precisar vender banana na esquina, vou vender e criar meus filhos com fé em Deus, disse.


