Dirceu reúne ministros e discute ações do governo
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terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Brasília Com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fora do País, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, desempenhou ontem seu novo papel de ''gerente do governo'', cumprindo uma agenda de presidente da República. Recebeu novos e velhos ministros, líderes e dirigentes partidários e ainda tentou conter crises internas que ameaçam o ambiente político por causa das feridas abertas com a dança das cadeiras na Esplanada dos Ministérios.
Mas Dirceu continuava se queixando do título que lhe é conferido de todo-poderoso. ''De novo a imprensa está com essa história de me chamar de primeiro-ministro. Vocês querem me demitir com essa coisa de primeiro-ministro'', reclamou ele aos fotógrafos, durante audiência concedida ao novo ministro da Previdência, Amir Lando, em seu gabinete, no quarto andar do Planalto.
Ao cumprimentar Lando, Dirceu ainda comentou: ''Quem diria, hoje sou ministro da Casa Civil e você da Previdência e, antes, nós dois, naqueles corredores (do Congresso)''. Os dois tiveram atuação importante na CPI do Congresso que resultou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Enquanto o gabinete de Dirceu fervilhava, num entra-e-sai de ministros, o presidente da República em exercício, José Alencar, tinha uma agenda apenas interna, embora estivesse despachando no gabinete de Lula, no terceiro andar do Planalto.
Dirceu teve uma agenda carregada de audiências, repassando as diretrizes para cada um nos novos ministros e cobrando resultados. A sua primeira audiência externa foi com o embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur, seguida de um encontro com os novos ministros da Educação, Tarso Genro; da Previdência, Amir Lando; da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner, além do novo líder do governo no Congresso, Miro Teixeira.
Tentando aparar possíveis arestas ainda da reforma ministerial, José Dirceu convidou a ex-ministra-chefe da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Emília Fernandes, para uma conversa.
Depois, José Dirceu almoçou com o presidente do PC do B, Renato Rabello, a quem fez questão de garantir que ''são infundadas as especulações'' de que o partido poderia perder o Ministério dos Esportes, porque estaria ocupando espaço desproporcional ao número de votos que dispõe no Congresso.
O ministro da Casa Civil fez questão de justificar ainda que a reforma realizada ''não se resumiu a agasalhar o PMDB, foi para mostrar que este é um governo de coalizão'' e que ''esta nova fase do governo é para garantir a retomada do crescimento e do desenvolvimento''.
Hoje, Dirceu deverá dedicar parte do dia, como fazia até então às terças e quintas, a receber dezenas de parlamentares. Aldo Rebelo, o novo ministro da Articulação Política, deverá estar ao lado dele, para começar a nova distribuição de funções.


