Arquivo FolhaTucano, nãoZé Dirceu: ‘‘O PT tem um candidato no PR, que é o Cheida, e só apoiaria o Álvaro se ele rompesse com FHC’’O presidente nacional do PT, José Dirceu, garantiu ontem que ‘‘não existe acordo nenhum entre PT e PSDB no Paranᒒ. ‘‘Não existe hipótese de o PT apoiar o Álvaro (Dias, ex-governador). Só se ele romper com o presidente Fernando Henrique Cardoso, porque não queremos dois palanques’’, declarou Dirceu à Folha, por telefone. ‘‘O PT tem um candidato no Paraná que é o Cheida (Luiz Eduardo, ex-prefeito de Londrina) e nossa disposição é compor uma frente com o Requião e com os partidos de esquerda’’, declarou.
José Dirceu descredencia o encontro da última segunda-feira entre o ex-prefeito de Londrina e Álvaro Dias. ‘‘Estão fazendo uma tempestade em copo d’água’’, reagiu. Lideranças do PT não engoliram a aproximação. Para Dirceu, se Álvaro Dias quiser entrar na frente de oposições que está sendo costurada por partidos de esquerda, ele terá de passar pela aprovação de partidos como o PMDB, PT, PCdoB, PDT, PCB, PPS e PV. ‘‘A frente terá de discutir se apóia ou não o nome dele numa eventual candidatura ao Senado. Mas primeiro o Álvaro precisa decidir o que vai fazer. Se disputará o governo do Estado ou o Senado’’.
O deputado federal Paulo Bernardo (PT) classificou como ‘‘encenação’’ o acordo PT-PSDB para 1998. ‘‘O acordo quer paralisar o PT durante meses para projetar candidaturas. Nós só definiremos coligação no nosso encontro estadual, em 98’’, diz Bernardo.
Bernardo não gostou nada das conversas entre Cheida e o presidente da Telepar e ex-governador Álvaro Dias, em Curitiba. ‘‘O PT definiu recentemente que lançaria candidato próprio e agora está mudando o discurso? Todo mundo sabe que o ex-prefeito é candidato a deputado estadual. Ele fala em candidatura ao governo, mas vai tirar o corpo fora e teremos de arrumar um candidato na última hora’’, avalia Bernardo. O deputado lembrou que em 94 Cheida apoiou Álvaro Dias em sua candidatura ao governo do Estado. ‘‘Naquela época ele já fazia campanha para o Álvaro’’, criticou.
Bernardo e Cheida estão rompidos há anos, mas as rusgas aumentaram nas eleições do ano passado, quando Bernardo foi candidato a prefeito e Cheida não declarou seu apoio a ele. Preferiu Luiz Carlos Hauly (PSDB) .
Para o deputado, tanto Cheida como as lideranças do PT (leia-se o presidente estadual, Pedro Tonelli) ignoraram as deliberações do encontro recente do diretório estadual, em Cascavel, que, além de definir candidatura própria, previa a possibilidade de acordo com o PMDB.

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