Dirceu: ofensiva midiática não impedirá eleição de Renan
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2013
Gustavo Porto <br> Agência Estado 
São Paulo - O ex-ministro da Casa Civil, deputado federal cassado e condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão, José Dirceu saiu ontem em defesa pela eleição à presidência do Senado de Renan Calheiros (PMDB-AL). Em uma postagem no ''Blog do Zé'', mantido pelo ex-ministro, Dirceu atribuiu a uma ''ofensiva midiática'' e a um ''falso moralismo'' os protestos de quarta-feira em frente ao Congresso Nacional e a cobertura da imprensa em relação à denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, contra o senador.
Na denúncia ao STF, Gurgel apontou o uso, por Calheiros, de notas fiscais frias para comprovar renda. ''O que estamos assistindo em relação ao senador Renan Calheiros é, de novo, uma ofensiva midiática dando cobertura a denúncias contra ele concertadas com ações do Ministério Público Federal (MPF) e com intervenções de grupos organizados, como aconteceu ontem (anteontem) em frente ao Congresso Nacional'', escreveu o ex-ministro.
Dirceu voltou a provocar a oposição, formada pelo PSDB e pelo DEM, ao afirmar que Calheiros será eleito presidente do Senado e o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), da Câmara. ''Ambos são do PMDB e é uma grande bobagem a continuidade dessa campanha da mídia dizendo (...) que eles só se elegem por contar com o apoio do Planalto'', informou. ''Foi o povo que elegeu o Congresso e decidiu, pelo voto, por sua vontade soberana, que PSDB-DEM seriam oposição e minoria e PT-PMDB formariam e dirigiriam uma coalizão majoritária que, como tal, tem o dever de eleger os presidentes do Senado e da Câmara'', completou.
Ainda segundo o deputado cassado, o objetivo dos protestos e do pedido de investigações é de dividir a base de apoio do governo e continuar com a campanha ''moralista e udenista. A mesma campanha falso-moralista que levou o presidente Jânio Quadros ao Planalto (1960) porque ia 'varrer a corrupção'; os militares ao poder porque eles 'combatiam a corrupção e a subversão'; e depois elegeu o presidente Fernando Collor, o caçador de marajás...'', completou Dirceu, sem poupar senador Collor (PTB-AL), agora aliado ao PT e ao governo.
Por fim, Dirceu ironizou o uso de vassouras no protesto de ontem no Congresso e defendeu a reforma política, o financiamento público de campanha e a regulação da mídia. ''O símbolo ontem (anteontem) dos manifestantes em frente ao Congresso Nacional era a vassoura. Mudar mesmo, fazendo a reforma política e administrativa, nem pensar. Estes neoudenistas dos novos tempos se opõem a ferro e fogo ao financiamento público e ao voto em lista'', escreveu. ''Observem, também, que à frente dessas campanhas de agora há sempre deputados e senadores defensores da mídia e inimigos de qualquer regulação'', concluiu.


