Dirceu nega relação de caso com Planalto
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004
Agência Folha 
Agência Folha
Brasília - Ao falar publicamente pela primeira vez sobre as acusações de que um de seus assessores negociava com bicheiros em troca de propinas e doações para campanhas eleitorais, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que o caso nada tem a ver com o governo federal e que cabe à polícia, ao Ministério Público e ao Congresso apurar o episódio.
Segundo ele, que enfatizou os acontecimentos como anteriores ao início da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, o Palácio do Planalto agiu imediatamente na última sexta-feira, ao exonerar Waldomiro Diniz da Subchefia de Assuntos Parlamentares da Presidência da República. Com relação aos fatos que levaram à exoneração do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil [Waldomiro Diniz] (...) quero declarar que os fatos denunciados aconteceram em 2002, antes do atual governo, no Estado do Rio de Janeiro. Não foi apontada nenhuma irregularidade durante o atual governo.
Waldomiro assumiu a subchefia no início da gestão Lula, em janeiro de 2003. Com a reforma ministerial do mês passado, seu cargo passou a ser subordinado à Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais, de Aldo Rebelo (PC do B-SP). Na seqüência de sua fala, Dirceu elogiou a atitude do Palácio do Planalto de ter exonerado Waldomiro logo após seu pedido de demissão e, já na sexta-feira, quando as acusações foram divulgadas, determinado a abertura de inquérito na Polícia Federal.
O atual governo agiu imediatamente exonerando o subchefe de assuntos parlamentares, mandando a autoridade competente instaurar inquérito policial. É público e notório que o Ministério Público também o fez. Apesar de o governo afirmar que exonerou Diniz, no Diário Oficial da União foi registrado que sua saída se deu a pedido.
Dirceu encerrou seu discurso reconhecendo, pelo menos nas palavras, a possibilidade de abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o caso: Qualquer outra iniciativa cabe às autoridades do Ministério Público, às autoridades da Polícia Judiciária e ao Parlamento brasileiro. O presidente do PT, José Genoino, afirmou ontem que o partido é contrário à instalação de uma CPI no Congresso.
Em rápido pronunciamento, organizado para que falasse sobre o caso sem que pudesse ser questionado por jornalistas, Dirceu não citou em nenhum momento o nome de seu antigo homem de confiança. Ao se referir a ele, por duas vezes, o ministro preferiu tratá-lo apenas de ex-subchefe.
Dirceu falou de forma improvisada por cerca de dois minutos em uma sala do Congresso, onde, antes, entregou a mensagem presidencial do início do ano legislativo aos presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Não foram permitidas perguntas ao ministro, que falou em um microfone instalado no local cercado por parlamentares e assessores, entre os quais os senadores Aloizio Mercadante (PT-SP), Tião Viana (PT-AC) e Renan Calheiros (PMDB-AL).


