Brasília - O chefe da Casa Civil, José Dirceu, negou ontem que o Palácio do Planalto esteja empenhado em esvaziar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que será instalada na Câmara para investigar a remessa ilegal de dinheiro para o exterior por meio das chamadas contas CC-5. ''O governo não tem só disposição, mas uma firme determinação de investigar, com uma qualidade melhor do que a que vinha sendo feita'', afirmou.
De acordo com Dirceu, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, se encontrará ainda hoje com os líderes dos partidos no Congresso para fazer um relato das investigações realizadas até agora pela Polícia Federal (PF) e Ministério Público (MP). Há indícios fortes de que as contas CC-5, movimentadas a partir de agências bancárias de Foz do Iguaçu, cidade paranaense situada na região da fronteira com o Paraguai e a Argentina, serviram para a evasão de divisas da ordem de US$ 30 bilhões.
Como há evidências de que a maior parte desses recursos, depois de deixar o País, passou pela agência do Banestado em Nova York, o antigo banco do Estado do Paraná serviu para batizar a comissão de inquérito, que se tornou conhecida como CPI do Banestado. Criada no dia 5, a comissão será, efetivamente, instalada quarta-feira, informou o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), que aguarda apenas a lista dos representantes do PP, único partido que ainda não fez as indicações para a CPI.

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