A aliança firmada na Argentina entre a frente de centro-esquerda Frepaso e a conservadora União Cívica Radical (UCR), do ex-presidente Raúl Alfonsín, foi apontada pelo presidente nacional do PT, José Dirceu (foto), como ‘‘exemplo a ser seguido’’ pelo partido no Brasil. Ao apresentar a sua plataforma como candidato à reeleição, ele defendeu ontem a busca de uma ampla política de alianças para as eleições de 1998. ‘‘Temos o dever de disputar para ganhar as eleições do ano que vem’’, afirmou Dirceu durante entrevista que marcou o lançamento de sua candidatura, no Espaço Cultural da Câmara de Deputados.
‘‘A história já mostrou que um partido único não governa o Brasil e, por isso, é preciso ampliar o arco de entendimentos’’, sugeriu. O atual presidente do PT concorrerá à reeleição, contra o deputado Milton Temer (RJ), durante o Encontro Nacional do partido, previsto para a última semana de agosto, no Rio de Janeiro. Temer defende uma posição mais restrita em relação às alianças. Segundo cálculos feitos por deputados e senadores da ala moderada do partido, Dirceu sairá vencedor com 55% a 60% dos votos.
Durante o lançamento de sua candidatura, José Dirceu procurou demonstrar que permanecem abertas as negociações com o PDT em torno das candidaturas aos governos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. O presidente do PT recordou que, durante o encontro estadual do partido no Rio, foi rejeitada uma proposta de lançamento de candidatura própria à sucessão do governador Marcello Alencar. ‘‘Isso foi feito para que o partido permanecesse aberto à aliança com o PDT’’, explicou Dirceu.
Para José Dirceu, os dois partidos terão de decidir conjuntamente se a cabeça-de-chapa no Estado caberá à senadora Benedita da Silva (RJ) ou ao prefeito de Campos, Anthony Garotinho (PDT). O presidente do PT insistiu ainda na possibilidade de um entendimento com o PDT no Rio Grande do Sul, apesar da decisão do encontro estadual do PT de adiar para 98 a decisão sobre o tema. ‘‘Existe nas duas partes vontade de negociar’’, declarou. Dirceu prometeu convocar para maio de 1998 um novo encontro nacional do partido, destinado a discutir o que chamou de ‘‘socialismo petista’’, as eleições do próximo ano e, principalmente, a proposta de subordinar a questão das alianças regionais a uma decisão da direção nacional do partido. O presidente do PT voltou a defender a ‘‘postura ética’’ do governador do Espírito Santo, Vitor Buaiz, que anteontem (11) deixou o partido, e lamentou que o PT não tenha sido capaz de chegar a um entendimento com o governador em torno de uma saída para a crise administrativa do Estado. ‘‘A sociedade vai cobrar isso do PT’’, previu.

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