Curitiba – Como já era esperado, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu ficou em silêncio durante audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras realizada ontem na Justiça Federal do Paraná. Abatido e mais magro, o petista estava acompanhado de seu advogado Roberto Podval, e manteve o silêncio durante todos os questionamentos feitas na manhã de ontem. Investigado dentro da Operação Lava Jato, Dirceu está preso há quase um mês na carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba.
"Seguindo orientação do meu advogado vou permanecer em silêncio", repetiu Dirceu durante os quase 15 minutos em que ouviu as perguntas. Além de Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI, que iniciou os questionamentos, os deputados Altineu Cortes (PR-RJ), Bruno Covas (PSDB-BA), Delegado Valdir (PSDB-GO) e Celso Pansera (PMDB-RJ) fizeram algumas perguntas, mas não quiseram estender a sessão devido à postura adotada pelo ex-ministro.
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) aproveitou seu tempo para manifestar apoio ao político, ressaltando que a vida de Dirceu "também foi pela democracia". Ela ainda destacou que o governo Lula combateu sim a corrupção, e fez questão de condenar o que chamou de "ataques inadequados" que vêm sendo feitos contra seu partido. A deputada também criticou a demora da Polícia Federal (PF) para ouvir o político. O ex-ministro está detido desde o dia 3 de agosto e sua oitiva foi realizada apenas ontem à tarde, último dia para conclusão do inquérito. "Quatro semanas de uma prisão sem ser ouvido demonstra um desapego a princípios fundamentais. Vivemos num estado democrático de direito", afirmou.
A postura adotada por Dirceu, de usar o seu direito de ficar em silêncio, era uma prévia do que viria a seguir. Todos os outros quatro convocados pela Comissão não responderam às perguntas, frustrando qualquer expectativa dos deputados. João Antônio Bernardi Filho (executivo da empresa Saipem); o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo; o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada; e o executivo da Andrade Gutierrez, Elton Negrão de Azevedo; seguiram à risca a orientação dos advogados.
"Ninguém pode dizer que ficamos satisfeitos hoje. A CPI vem mais uma vez a Curitiba cumprir o seu papel de ouvir estas pessoas presas e vamos seguir com o nosso cronograma, na torcida de que os próximos depoimentos sejam mais produtivos", ressaltou o presidente da Comissão, deputado Hugo Motta (PMDB-PB).
Segundo ele, é um direito dos investigados ficar em silêncio, tanto que em outras reuniões muitos convocados ficaram calados. "Ficamos tristes porque a CPI fica travada, resta a nós seguirmos com nosso trabalho. A CPI nunca pode ser tachada de que não está se dedicando à sua investigação. Infelizmente, nos deparamos com situações como essa, mas não podemos neste momento baixar a cabeça ou recuar daquilo que estamos propondo fazer há mais de seis meses de trabalho", completou o parlamentar.

SEGUNDO DIA


Mesmo com a possibilidade de mais convocados permanecerem em silêncio, a CPI realiza hoje, a partir das 9h, a segunda audiência em Curitiba. Foram arrolados o presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht; e outros executivos da empresa, como Márcio Faria da Silva, Rogério Santos de Araújo, César Ramos Rocha e Alexandrino de Salles Ramos Alencar. Também será ouvido o ex-funcionário da Petrobras Celso Araripe de Oliveira. Os deputados cogitam antecipar dois depoimentos previamente marcados para amanhã, mas a decisão será discutida hoje.

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