Dirceu exagera nas críticas e é repreendido por Lula
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terça-feira, 23 de março de 2004
Agência Estado 
Brasília - O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, jogou por água abaixo a estratégia desenhada pelo governo para sair da crise política e foi duramente repreendido ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Motivo: na segunda-feira, quando Lula cobrava moderação nas declarações públicas dos ministros, Dirceu azedou o clima com fortes críticas ao senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) e estocadas na direção dos governadores tucanos Geraldo Alckmin, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais. Como era previsto, a temperatura do Congresso subiu ontem, justamente no momento em que o governo começava a sair do imobilismo.
No Palácio do Planalto, as afirmações do chefe da Casa Civil, publicadas pelo jornal ''O Globo'', foram consideradas ''um tiro no pé'' por interlocutores de Lula. Ao comentar o discurso do senador cearense no último dia 17, em defesa da política econômica, Dirceu afirmou que Tasso foi ''fraco'' e se juntou aos colegas Arthur Virgílio Neto (AM) e Antero Paes de Barros (MT) para desestabilizar o governo, apesar de aparecer publicamente como bom moço.
Da tribuna, Tasso disse estar surpreendido com as declarações de Dirceu e revidou no mesmo tom, alegando que o ministro precisava de uns 5 a 10 dias de férias e de ''um sítio para assentar a cabeça''. Na mesma linha, Virgílio insinuou que Dirceu ficara com ciúme dos elogios de Tasso ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, pois queria deslocar a crise para a economia.


