Dirceu estava 'confiante' na aprovação da MP
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quinta-feira, 17 de junho de 2004
Agência Estado 
Brasília - Horas antes da derrota do governo na votação do salário mínimo, que escancarou a anemia da articulação política, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, dizia estar ''confiante'' na aprovação do piso de R$ 260. Ao falar com senadores pelo celular, durante encontro com empresários e governadores do Nordeste em um hotel de Brasília, Dirceu procurava demonstrar sintonia com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, com quem trava uma acirrada disputa de poder nos bastidores. ''Estou ajudando o ministro Aldo'', afirmava.
Depois das queixas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, furioso com a rede de intrigas que invadiu o Palácio do Planalto, o chefe da Casa Civil tentou mostrar humildade. Aos repórteres que o abordaram, repetiu três vezes que só estava conversando com os senadores ''a pedido do ministro Aldo''. Desde às 18 horas, Dirceu e Rebelo acompanharam junto com Lula, no Planalto, os tensos momentos da votação no Senado.
O chefe da Casa Civil estava abatido desde cedo. Às 14 horas, almoçou com os governadores Ronaldo Lessa (Alagoas), Roberto Requião (Paraná), Paulo Hartung (Espírito Santo), Wellington Dias (Piauí) e com representantes de outros 15 Estados. Ao participar do encontro da Coalizão de Governadores Pró-Etanol, como foi denominado o grupo, tentava seguir a recomendação de Lula para ''mergulhar de cabeça'' no gerenciamento do governo. Mas não tinha sossego. Não se passavam dez minutos sem que seu celular tocasse. Assunto: salário mínimo. ''Eu bem que tentei ajudar o governo, mas não obtive sucesso'', contou Lessa, no almoço com Dirceu.
Requião, por sua vez, falava abertamente contra a proposta do governo. ''Eu, se pudesse, mandava todo mundo votar contra mesmo'', dizia o peemedebista. ''O mínimo tinha de ser de R$ 300.'' O governador do Paraná não se cansava de chamar o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, de ''Malan de Ribeirão Preto''. ''Dava muito bem para aumentar o mínimo, mas ele só está preocupado com o superávit primário, como Pedro Malan.''


