Curitiba – O ex-ministro da Casa Civil do governo Lula José Dirceu foi transferido ontem, no início da tarde, para o Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). A transferência foi autorizada pelo juiz federal Sérgio Moro ao atender o pedido feito na segunda-feira pelo advogado de Dirceu, Roberto Podval, solicitando a remoção dele da carceragem da Polícia Federal (PF) para o sistema penitenciário do Paraná.
"Fato notório que a carceragem da Polícia Federal, apesar de suas relativas boas condições, não comporta, por seu espaço reduzido, a manutenção de número significativo de presos. Tanto por isso autorizei, anteriormente, a remoção de outros presos relacionados à Operação Lava Jato, para o Complexo Médico-Penal, local que vem atendendo satisfatoriamente às condições de custódia dos presos provisórios", disse Moro em sua decisão.
"Pelo que foi verificado anteriormente, ficará José Dirceu em ala reservada, com boas condições de segurança e acomodação", completou Moro em seu despacho.
Após o ex-ministro ser ouvido na CPI da Petrobras, o advogado já tinha adiantado o desejo de seu cliente. "O tratamento na PF (Polícia Federal) é ótimo, mas é um lugar fechado, sem sol, faz muito mal para a saúde", ressaltou Podval.
José Dirceu foi preso no dia 3 de agosto durante a deflagração da 17ª fase da Operação Lava Jato, a Pixuleco. Agora, ele vai dividir espaço no CMP com outros presos envolvidos na investigação do megaesquema de corrupção e desvio de dinheiro público na Petrobras: o ex-deputado federal André Vargas (sem partido-PR); Luiz Argôlo (afastado do Solidariedade-BA); Pedro Corrêa (afastado do PP-PE); o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto; o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque; o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo; o presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht; Fernando Soares, o "Baiano", lobista apontado como operador do PMDB no esquema; entre outros.
A ala ocupada pelos réus da Lava Jato é destinada a receber policiais presos e detentos que possuem curso superior (médicos, advogados). Cada cela no CMP abriga três camas e um vaso sanitário. A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) não informa quem serão os "colegas" de cela de Dirceu devido a questões de segurança.
O ex-ministro é apontado pelos investigadores da Lava Jato como um dos idealizadores do esquema de corrupção que se instalou na Petrobras. Tanto a PF quanto o MPF indicam que Dirceu teve papel crucial na instalação do modelo que abriu caminho para o cartel de empreiteiras que conseguiram contratos bilionários na estatal mediante pagamento de propinas para políticos e ex-diretores da estatal petrolífera.
Na terça-feira, a PF indiciou Dirceu pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica (em razão da dissimulação dos contratos de consultoria em nome da JD Assessoria e Consultoria para ocultar o recebimento das vantagens ilícitas), corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Além dele, outras 13 pessoas também foram indiciadas, entre eles, o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva; Renato Duque; João Vaccari Neto e o operador Milton Pascowitch, que fechou acordo de delação premiada. Todos devem ser denunciados amanhã, pelos procuradores do Ministério Público Federal (MPF).

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