Brasília - Marcado para terça-feira, o depoimento do deputado José Dirceu (PT-SP), ex-chefe da Casa Civil, ao Conselho de Ética promete se transformar numa acareação antecipada entre o ex-todo-poderoso ministro do governo Lula e o presidente licenciado do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ). Será a primeira vez que os dois vão se encontrar desde que Jefferson denunciou o esquema do mensalão do qual, diz o petebista, Dirceu é o mentor.
Dirceu, que aceitou o convite para depor - o conselho não tem poder de convocação - vai prestar esclarecimentos como testemunha no processo que investiga, a pedido do PL, se o presidente licenciado do PTB quebrou o decoro parlamentar. Com o depoimento ao conselho, Dirceu espera apresentar argumentos suficientes para evitar que seja convocado na CPI dos Correios, onde a pressão política é bem maior.
Já na condição de réu, Roberto Jefferson, que promete sentar na primeira fila, poderá fazer perguntas ao ex-chefe da Casa Civil. Para se preparar para o momento mais aguardado por ele nos últimos tempos, ''o olho no olho com Dirceu'', e no qual ''o Brasil vai conhecer o verdadeiro José Dirceu'', Roberto Jefferson buscou refúgio junto à família.
Roberto Jefferson foi buscar inspiração para o embate mais aguardado na cena política dos últimos tempos na música, que, assim como seus torpedos contra o governo e ''colegas'' de Congresso, é o mais novo passatempo do petebista. Levou na bagagem para o Rio três óperas de Giacomo Puccini: ''Madame Butterfly'', ''La Bohème'' e ''Turandot''. Essa última mostra a veia dramática do compositor.
Revanche - A exemplo do que o PL fez com Roberto Jefferson, ingressando com representação contra ele no Conselho de Ética da Câmara, o petebista vai fazer o mesmo. Dará o troco não apenas em Valdemar Costa Neto (PL-SP), mas em outros quatro deputados: José Dirceu, Carlos Rodrigues (PL-RJ), Sandro Mabel (PL-GO) e José Janene (PP-PR). Os pedidos devem começar a ser protocolados a partir de amanhã.
Sobre o aceno do PL em retirar a representação contra Roberto Jefferson, ele responde: ''Não faço acordo com vagabundos''. E avisa que está descartada a possibilidade de ele levar os cinco parlamentares ao banco dos réus. Com exceção de Dirceu, os outro quatro deputados são acusados de receber mesada em troca de apoio ao governo.
A partir do momento em que a representação for aceita pelo presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), todos os cinco deputados, assim como Roberto Jefferson, ficam impedidos de renunciar ao mandato.

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