Brasília - O chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse quarta-feira que foi ''traído'' pelo ex-subchefe de Assuntos Parlamentares do ministério Waldomiro Diniz. A declaração foi feita aos participantes de um jantar na casa do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), em homenagem a Dirceu, segundo deputados presentes ao encontro. De acordo com deputados, ele afirmou que, em 2003, quando saíram as primeiras acusações contra Diniz, conversou ele, que o convenceu de que não havia irregularidades.
Conforme Dirceu, as iniciativas tomadas por Diniz, como pedir a apuração das acusações, indicavam também que não havia nada contra ele. ''Me senti traído. Com toda a experiência que tenho, me senti traído'', disse o chefe da Casa Civil, segundo um parlamentar. Ainda de acordo com convidados da reunião, Dirceu reconheceu que errou: ''Eu errei. Confiei quando não devia ter confiado'', relatou um participante do jantar.
O chefe da Casa Civil pediu desculpas aos aliados pelos constrangimentos que teria provocado, agradeceu pelo apoio de todos e disse que pensou em fazer um pedido de perdão à Nação, mas que isso depende de autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dirceu também confirmou ter pedido demissão ao presidente, que imediatamente rechaçou a possibilidade, segundo participantes do evento ouvidos pela reportagem.
Estavam no jantar os ministros Aldo Rebelo (Coordenação Política), Eunício Oliveira (Comunicações), Walfrido Mares Guia (Turismo) e Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia). Também participaram o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), os presidentes do PL, Waldemar Costa Neto (SP), e do PTB, Roberto Jefferson (RJ), o líder do PTB, José Múcio Monteiro (PE), onze deputados do PT, incluindo o líder da bancada, Arlindo Chinaglia (SP). Os senadores do PT não foram convidados.

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