Dirceu diz que não volta à Câmara
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terça-feira, 30 de novembro de 2004
Ana Paula Scinocca<br> Agência Estado 
São Paulo - O chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse ontem, em São Paulo, estar ''muito bem e feliz'' no ministério e que não pretende voltar para a Câmara dos Deputados em 2005. ''Quero ficar onde estou'', afirmou. Dirceu negou que tenha vontade de voltar a ser o articulador político do governo, tarefa que assumiu antes de a função passar para o chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais, Aldo Rebelo. ''Estou muito bem naquilo que estou fazendo. Faço com prazer, com paixão'', disse. ''Não é verdade que eu queira ser articulador político, muito menos presidente da Câmara.''
Dirceu ressaltou, porém, que fará o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinar. O ministro insistiu que está satisfeito em trabalhar nas prioridades estabelecidas por Lula: investimentos em infra-estrutura, educação e ciência e tecnologia, e na viabilização do sistema de crédito e financiamento do País. ''Eu tenho trabalhado com os ministros nesse sentido. Tanto eu quanto os ministros estamos muito satisfeitos.''
Ele não quis falar sobre reforma ministerial. Disse que só o presidente é quem fala sobre o assunto. Sobre nomes que aparecem como certos no primeiro escalão do governo petista, Dirceu afirmou: ''O presidente não discutiu, comigo pelo menos, esse tipo de especulação que está sendo feita.'' Essa atribuição, prosseguiu, é de Rebelo e dos líderes do governo.
Após participar de encontro com empresários em São Paulo, promovido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), Dirceu disse ainda estar convencido de que o PMDB continuará na base de sustentação da gestão Lula. ''O PMDB não vai sair da base do governo'', afirmou, alegando basear-se nas declarações de senadores e deputados do PMDB. ''Mas essa é uma questão interna do PMDB e é muito importante a participação do PMDB no governo, na coalização'', ressaltou.
Dirceu informou que ainda esta semana ele, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o ministro interino do Planejamento, Orçamento e Gestão, Nelson Machado, apresentarão ao presidente as propostas de reajuste do salário mínimo. ''O presidente determinou que nós apresentássemos para ele as propostas de salário mínimo. O objetivo do governo é melhorar o salário mínimo.''
Ele também garantiu que trabalha em sintonia com Palocci. ''Quando o ministro Palocci ganha, ganha o Brasil, ganha o governo, ganhamos todos nós'', disse, ao ser questionado por um empresário se ele perdia quando Palocci ganhava.
Dirceu, no entanto, admitiu que divergências existem. ''Assim como em qualquer empresa, família e em qualquer governo'', minimizou. O titular da Casa Civil lembrou que trabalha ''há décadas'' com Palocci. ''Não acredito que por causa de diferenças de avaliação em determinados momentos da política econômica nós vamos nos desentender em relação ao governo e ao que é essencial, manter a unidade do governo e manter o Brasil crescendo'', disse. E completou: ''Depois que o presidente decide, todo o mundo me conhece: eu obedeço e faço.''
O ministro enfatizou ainda que todos os integrantes da gestão Lula são desenvolvimentistas, inclusive ele e Palocci. ''Passar a idéia de que alguns querem desenvolvimento, e outros não, não é verdade'', observou.


