BRASÍLIA - Na apresentação do balanço de dois anos da gestão Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro José Dirceu (Casa Civil) afirmou que o atual governo é ''reformista'' e criticou oposicionistas, chamando-os de ''saudosistas da ineficiência''. Disse ainda que a taxa de juros em 2005 não será um ''empecilho'' ao crescimento. ''Este é um governo reformista, não só de reformas sociais como político-institucionais'', disse o ministro, citando as reformas tributária e previdenciária.
Ao expor números do governo, como a criação de 1,8 milhão de postos de trabalho com carteira assinada em 2004, Dirceu afirmou que os dados eram para ''responder a quem diz que o nosso governo não é eficiente''. Dirceu admitiu, porém, que o governo não irá cumprir a meta de 115 mil famílias assentadas neste ano. A explicação, segundo o ministro, é que foi priorizada a implantação de infra-estrutura em assentamentos antigos. No balanço, os números aparecem inflados: 70,6 mil famílias assentadas, contra as 55 mil oficializadas pelo Incra até novembro.
Leia a seguir trechos do balanço de 2003 e 2004 e do planejamento de 2005 feitos ontem por Dirceu no Palácio do Planalto.
FHC - ''Há alguns saudosistas da ineficiência que andam afirmando que o nosso governo não é eficiente. Estamos remontando o Estado. Isso também é para criticar um ex-presidente da República (Fernando Henrique Cardoso) que nos criticou por causa de contratação. Contratação onde? Na segurança pública, na educação, na Previdência.''
TETO - ''Não há nenhuma possibilidade orçamentária, do ponto de vista do Executivo, de aumento para outros setores da administração. O país não suportará um aumento para além disso. Para o Poder Judiciário, foi feito um acordo em três vezes. A discussão sobre o Legislativo é do Legislativo. Eu, como cidadão, parlamentar licenciado, não faria isso. Acho que o salário dos parlamentares está dentro dos parâmetros que o país pode pagar. Não tem nada a ver com pagar passagem aérea. Se tivessem de pagar, não teriam como sobreviver.''
CFJ - ''Quero fazer uma autocrítica. O Conselho Federal de Jornalismo não foi discutido nem debatido com a sociedade e teve o fim que teve no Congresso Nacional ontem (foi rejeitado na noite de quinta-feira). Uma decisão para todos nós, dialogar com a sociedade cria consensos progressivos que viabilizam a aprovação no Congresso Nacional de medidas.''
SALÁRIO MÍNIMO - ''O Congresso tem autonomia para (analisar) outras propostas, e o governo vai analisá-las. Mas precisamos ter como guia o Orçamento. Teremos um ano de crescimento, um ano bom, mas não um ano sem problemas. A proposta que o presidente apresentou está dentro das possibilidades do país. É um grande avanço, um aumento (real) de quase 10% no mínimo. O governo tem boa vontade com isso, mas não podemos sair das dificuldades que temos e que não são poucas.''
JUROS EM 2005 - ''O Banco Central, por meio das atas do Copom, já tinha sinalizado o aumento dos juros, porque entende que precisa trazer a inflação para o núcleo da meta. Isso era esperado pelo país, que cresceu ainda assim mais de 5%. O papel do governo é ter uma política monetária e fiscal além do papel do BC. É ter política de desenvolvimento.''
''Não acredito que os juros sejam um empecilho para o aumento do crescimento (em 2005). Outras variáveis talvez sejam tão importantes quanto a política monetária, como o preço do petróleo, a expansão da China e os juros nos Estados Unidos.''
RECEITA - ''O governo vai aumentar o controle sobre as fraudes na Previdência. Inclusive o governo vai praticamente visitar todo o cadastro de aposentados que não tinha CPF.''
''Vamos primeiro modernizar a Dataprev. O presidente já disse e já solicitou ao ministro (Antonio) Palocci um estudo porque ele crer criar a Receita Federal do Brasil, um organismo que arrecadará todos os tributos do país. Nós vamos no futuro avançar porque isso racionaliza, diminui o custo e evita a sonegação e a fraude.''

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