Dirceu diz que espionagem não o atinge
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sexta-feira, 23 de julho de 2004
Agência Folha 
MANAUS - O ministro José Dirceu (Casa Civil) disse ontem, em Manaus, que a espionagem no setor das telecomunicações não o atingiu nem ao governo petista, mas que quer investigações e punição dos responsáveis pelo caso. Reportagem publicada pela ''Folha de S.Paulo'' revelou que, sob encomenda da Brasil Telecom, a empresa americana Kroll Associates teve acesso a e-mails do ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica) antes de ele tomar posse no governo, em 2003.
''Espionagem, eu hein!!! Não estou preocupado com isso. A Polícia Federal já está investigando isso, e o presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) determinou ao ministro da Justiça (Márcio Tomaz Bastos) que vá fundo nas investigações e puna os responsáveis pela espionagem'', disse o ministro, que foi a Manaus, segundo ele, como militante para se engajar na campanha da candidata a prefeita Vanessa Grazziotin (PC do B). ''Entro em férias hoje (ontem), essa visita não é institucional.''
No material reunido pela Kroll, o ministro José Dirceu aparece como o mais monitorado integrante do primeiro escalão do governo. Ele disse que desconhece o assunto. ''Por que eu seria espionado? O que eu faço é público. Não estou sabendo (que é um dos monitorados), não. É novidade.'' O objetivo formal da Brasil Telecom (controlada pelo banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity) era investigar a Telecom Italia as empresas protagonizam uma batalha judicial.
A investigação da Kroll, porém, resvalou tanto em Gushiken como no presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, que teve monitorados seus encontros com executivos da Telecom Italia. ''A espionagem não é contra o governo, é contra o Gushiken, o Casseb e o Calabi (Andrea Calabi, ex-presidente do BNDES). Eu não tenho nenhum problema com isso (a espionagem)'', disse.


