Dirceu diz que caso Waldomiro está acabado
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Julia Duailibi<br> Agência Folha 
São Paulo - Após 40 dias de crise no governo e de ataques da oposição, o ministro José Dirceu (Casa Civil) tentou tirar o caso Waldomiro Diniz dos holofotes e inseriu no debate o tema econômico: disse que o país está trabalhando para a redução do superávit primário e para a queda gradual dos juros.
Dirceu enfraquecido desde a divulgação de fita gravada em 2002 na qual seu ex-assessor aparece pedindo propina a um empresário do ramo de jogos disse não haver paralisia no governo e foi categórico: ''(O caso Waldomiro Diniz) não me incomoda. Considero o assunto encerrado''.
Depois de dizer ter ficado ''inconformado'' com a denúncia contra o ex-assessor Waldomiro Diniz, Dirceu declarou que, durante 40 dias, sua vida e o governo foram ''devassados'', ''investigados'', mas que nada foi encontrado. ''Esse governo não tem uma denúncia de corrupção. Não rouba nem deixa roubar'', concluiu.
Apesar de dizer que o caso Waldomiro ''está esclarecido'', o ministro não entrou em detalhes sobre seu relacionamento com Rogério Buratti, empresário que Waldomiro teria tentado beneficiar durante negociações para a renovação do contrato da Caixa Econômica Federal com a empresa GTech, de acordo com depoimentos de dirigentes da empresa à Polícia Federal.
O ministro tem defendido nos bastidores a mudança na política econômica atual como forma de restabelecer a divisão de forças no chamado núcleo duro do governo. Ao colocar em pauta o tema econômico, polêmico não só no PT, como no próprio governo, traz para o centro do debate Antonio Palocci Filho (Fazenda), defensor do superávit primário (economia para o pagamento de juros) em 4,25% do PIB. Dirceu participou ontem do fórum ''Inclusão Social e Desenvolvimento'', organizado ontem pela GloboNews, em São Paulo.
Dirceu disse mais de uma vez que o ''tempo da economia'' nem sempre é o da sociedade. Defendeu ''um pacto político-empresarial-parlamentar para que o Brasil, de maneira persistente e responsável, continue a transição para o crescimento econômico''. Senão, afirmou, ''cairemos na ilusão dos pacotes (econômicos), dos milagres de medidas salvadoras''.
Segundo o ministro, não existe paralisia no governo, mas ''problemas políticos e administrativos que precisam ser resolvidos''. Dirceu citou como exemplo a escassez de recursos e as greves dos servidores, como a dos agentes da Polícia Federal. O ministro classificou ainda como ''irrealidade ou irrealismo o discurso de que o governo e o país estão parados''.
O ministro, seguindo orientação do próprio presidente Lula de colocar em foco ações positivas, aproveitou para afirmar que o governo avalia dar um aumento para os servidores. Declarou ser um ''otimista'' com os rumos da economia brasileira e afirmou que o crescimento neste ano será de ''mais de 3,5%''. ''Se é verdade que o Brasil tem um modelo econômico perverso porque exclui, também é verdade que se está trabalhando para criar as condições de retomada do crescimento econômico'', disse o ministro ao comentar críticas do presidente da OAB, Roberto Busato, para quem a gestão econômica não reduziu a desigualdade social no Brasil.
Durante sua palestra, Dirceu elencou o que chamou de ''os grandes problemas do país'': falta de recursos, corrupção e necessidade de mais transparência. ''Só conseguimos assentar 35 mil famílias por problemas de recursos'', disse o ministro em relação aos números da reforma agrária.


