Dirceu diz que ACM é sombra da República
O presidente nacional do PT e deputado federal eleito José Dirceu (SP) classificou ontem o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), presidente do Senado, como uma sombra da República e lastimou a permanência do antigo parlamentar na vida política nacional.
As críticas foram feitas após a reunião do Conselho Político da União do Povo Muda Brasil, em São Paulo. O senador ACM tem de deixar de dizer ao País o que precisa ser feito porque nós não estamos mais na ditadura militar, disse Dirceu, referindo-se ao pedido de ACM para serem punidos os parlamentares aliados que votaram quarta-feira contra o governo na MP do servidor.
Acredito que essa página chamada ACM precisava ser virada no País; não faz bem para o País ter um homem como ele, como uma sombra da República; isso macula o caráter democrático da República.
Para Dirceu, Antonio Carlos Magalhães não deveria continuar ocupando a presidência do Senado. Mas essa é uma questão que, infelizmente, nós não podemos alterar, certo?; o País vai ter de conviver com ACM durante muito tempo.
O deputado José Dirceu voltou a criticar o modelo econômico defendido pelo governo federal e disse que o ajuste fiscal é recessivo e não trará solução para as crises do desemprego e da falta de investimentos. A realidade é que vivemos numa ditadura econômica, o Gustavo Franco (presidente do Banco Central) toma as decisões que toma e o Fernando Henrique Cardoso lhe dá cobertura.
A criação do Ministério da Produção, que está sendo planejada pelo governo, segundo Dirceu, seria um factóide com o objetivo de impedir setores industriais e da sociedade civil de se organizar na busca de alternativas. O problema não é o Ministério da Produção e sim a política econômica; sabemos que o governo é dominado pelos financistas e não tem política industrial; e, depois, aparece o Mendonça de Barros (ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros) nos jornais, dizendo que o Ministério da Produção era para ser um contraponto ao domínio financista, disse. (A.E.)





